quinta-feira, 31 de março de 2016

Ando Lendo: A Redoma de Vidro - Sylvia Plath

A Redoma de Vidro foi a única obra que eu realmente li escrita por Sylvia Plath. Apesar de conhecer o nome da famosa poetisa, eu nunca havia procurado nenhum trabalho sobre ela por não ser uma grande fã de poesias. Porém, ao saber da temática do livro me interessei bastante em saber como ela o abordaria.

O livro escrito em primeira pessoa nos permite saber os pensamentos de Esther, uma jovem do subúrbio que muda para Nova York com toda o histórico de ser uma pessoa com grande futuro e que lentamente a vemos se tornar alguém com uma forte depressão.

Apesar de apresentar a visão de Esther essa perspectiva é contada por ela como quem conta algo em voz alta. Isso significa que ocorre exatamente o que acontece quando você conta sobre o que passou noite passada. Você pode tentar se expressar o melhor possível e mesmo assim não terá certeza de que conseguiu passar o que sentia, muito menos que quem recebeu a mensagem recebeu como você desejava.

Acredito que esse seja um dos motivos pro livro se tornar tão pessoal.

De uma forma sutil a autora me fez interpretar o que ocorre com Esther dando completude aos seus sentimentos usando o que eu, como leitora, acredito que ela sentia; o que envolve colocar a minha empatia ali e como resultado se sentir acolhido pelo livro. Coloquei essa opinião em primeira pessoa, pois talvez nem todas os leitores tenham feito isso, lendo apenas como fatos.

Em nenhum momento existe uma grande situação onde é possível apontá-la como o início da depressão. Dá pra sentir um aumento gradual da situação e talvez consiga criar um ponto onde exista o começo da percepção do que está acontecendo, mas não da depressão em si. Assim como a maioria das coisas que vão se tornando rotina, a situação de Esther vai sendo transpassada sem muita certeza de início e fim.

Não tento aqui fazer uma resenha muito longa e com muita análise, pois realmente acredito que seja um livro em que o leitor consiga se relacionar de muitas maneiras diferentes, o que deixaria qualquer análise muito subjetiva ou exploratória (lê-se viajada, tipo analisar pintura abstrata).

Poderia tentar mostrar como eu, tia Bë, me senti ao ler o livro; mas acredito que fazendo isso impediria o leitor que vá o conhecer mais tarde de sentir e se identificar de forma pura, sem empurrões para determinadas perspectivas. Não quero fazer isso, pois considero a história muito mais sensitiva, no sentido de ser possível incluir toques pessoais, do que informativa, onde você consegue definir ao menos alguns pontos e criar opiniões sobre eles.

É um livro altamente recomendado, mas que já ouvi falar que deve-se tomar cuidado com o momento da vida que escolhe para lê-lo. Para alguns pode soar exagero, mas como tento propor nessa resenha, as pessoas sentem de modo diferente e por ser um livro que acredito que deva ser lido com o coração aberto é sempre bom pensar em quem tem o coração mais receptivo.

Ps. Aconselho fortemente a ler um pouco da biografia de Sylvia Plath também, pois a autora e o livro são profundamente entrelaçados em diversos sentidos.