domingo, 24 de maio de 2015

[Resenha] Os Fabulosos X-Men: A Saga da Fênix Negra – Chris Claremont & John Byrne

Dentre as três resenhas publicadas nesse mês no blog, duas delas pertencem ao universo Marvel. Minha trajetória como fanboy dessa franquia começou com os X-Men nos anos noventa. Passei a me interessar pelas outras vertentes bem depois...


O amor pelo desenho animado clássico e pelos quadrinhos surgiu meio que em simultâneo. Só mais tarde fui saber o quanto esse grupo sofreu com falta de interesse por parte de seus fãs e cancelamentos súbitos, os filhos do átomo eram uma boa equipe, mas faltava qualidade no roteiro, desenvolvimento de seus personagens, adição de qualquer outro tipo de tema que não fosse o preconceito e por aí vai... Eis que Chris Claremont e John Byrne decidem então assumir esse já destroçado braço da Marvel, transformam essa equipe de quinta categoria em um verdadeiro time de estrelas e nos agraciam com os mais incríveis e relevantes títulos do universo. A Saga da Fênix Negra é considerada aos olhos dos fãs uma das melhores (senão a melhor) histórias dos mutantes nas histórias em quadrinhos. Além de conseguirem se consagrar no ramo a dupla citada acima nos presenteou com material de extrema qualidade a mais de trinta anos atrás e que merece ser lembrado até hoje.


Um grupo de mutantes reunidos e treinados pelo professor Charles Xavier enquanto vivem amedrontados e reprimidos pela raça humana, devem travar diversas batalhas, viver grandes aventuras e combater incontáveis inimigos. Esse grupo é chamado de X-Men e se popularizou com aqueles que não leem quadrinhos través dos filmes lançados a partir do ano 2000.


Não é simplesmente a densidade da trama de A Saga da Fênix Negra que a torna lendária. No mesmo arco acontece a introdução de duas mutantes Crystal e Kitty Pryde (sendo essa fundamental para equipe em tramas futuras e dona de uma quantidade considerável de fãs), houve também a estreia do Clube do Inferno no universo mutante (que é um grupo de vilões muito interessantes e poderosos que foi adaptado pro cinema em 2011) e, por fim, chegar a hora em que Jean Grey (a Fênix) perde o controle sobre seus poderes e sua personalidade e então mostrar as consequências disso para os X-Men e para o resto do mundo.




Jean Grey é considerada a menina dos olhos de Stan Lee, talvez por isso a personagem não seja tão cativante diante de um público que tem cobrado cada vez mais personalidades fortes de seus heróis.  De qualquer forma, aquela ruiva certinha e um tanto simplória foi elevada a uma condição um tanto conflituosa. Não existe nenhum registro anterior onde uma heroína havia passado por uma transformação tão apavorante e pagado um preço tão alto pela redenção. Meu objetivo aqui, não é fazer com que você caia de amores pela personagem, mas que pelo menos te faça conseguir entender o quão chocante foi transformar a mocinha descrita anteriormente, um membro original do grupo e dona da maior quantidade de laços afetivos pelo mesmo em um ser que adquiriu uma quantidade de poder além da compreensão e foi corrompida por ele.


Claremont é incrível, não notei preguiça no roteiro, cada um dos personagens foram desenvolvidos dentro de suas limitações e cumpriram bem seu papel na trama (seja esse papel crucial ou não), tudo foi muito bem amarrado não deixando que nenhum dos capítulos passe em vão ou que simplesmente chateiem o leitor com enrolações desnecessárias, é abarrotado de cenas de ação (minhas favoritas são; o confronto de Jean contra Emma Frost, Wolverine sozinho contra os capangas do clube e a batalha final entre os X-Men e os membros do círculo interno), houve uma boa quantidade de elementos psicológicos e filosóficos (abordados quase sempre pelo casal Jean e Scott) o que não costumava ser visto em histórias do grupo e que enriqueceu muito a leitura, obviamente existe uma carga dramática ali e é possível se emocionar mesmo se não houver tanta afinidade assim com os personagens.


Devemos também nos lembrar de que é uma história (criada e desenhada) da década de 1980, claro que apesar disso é bem escrita e também bem adulta, porém os traços não são aqueles com os quais os fãs mais atuais estão acostumados. Isso não desmerece de forma alguma a qualidade do traço de John Byrne que mantém o mesmo estilo sujo e apesar disso sempre cheio de cores, detalhista e abarrotado de cenas de movimento.


A Marvel está lançando junto com a Salvat uma coleção com os melhores arcos de seus super-heróis favoritos, e quem infelizmente não teve a oportunidade de ler (como eu) as HQs originais dessa saga maravilhosa tem a oportunidade de comprar o material compacto completo. A edição está impecável, capa dura e diversas informações adicionais, poderá ser adquirida em sebos, algumas bancas e até mesmo pela internet no site da Cultura. Além desse volume a coleção conta com outros 59 títulos dotados das mesmas características extras mencionadas acima. Ah... A lombada de cada volume de capa dura traz uma parte de uma fantástica paisagem do Universo Marvel deixando a coleção completa na sua estante espetacular. 



Preferi fazer essa resenha de forma diferente do que sou acostumado, houve sim alguns spoilers, mas nada que prejudique o avanço do leitor. A obra é indispensável para os fãs da sociedade mutante, consegue prender, não possui textos maçantes, continua sendo atual e merece sem sombra de dúvidas seu espaço entre os maiores clássicos da Marvel. Costumo brincar com a maioria dos meus amigos (fãs da franquia cinematográfica da FOX) que eles não conhecem os filhos do átomo de verdade... E eles estão aí, em sua mais pura essência, pra quem quiser conhecer. 



Outras Mídias


A Saga da Fênix Negra foi adaptada algumas vezes e em cada uma delas de maneira diferente.


 X-Men: A Série Animada (2ª Temporada) – Esta foi a adaptação mais fiel perante a que foi vista nos quadrinhos, foi também a primeira que vi. Os personagens envolvidos na trama principal foram alterados em sua maioria já que a animação possuía outros protagonistas. Possui uma pegada um tanto diferente dos cartoons atuais por ter sido lançado na década de noventa, porém em qualidade de roteiro é impecável.


Wolverine e os X-Men – Uma animação mais atual que se trata da Fênix desde o começo e aos poucos e o nosso incansável Wolverine é colocado como protagonista de todos os eventos. Emma Frost tem um papel muito diferente daquele exercido na saga original e também é colocada como um dos personagens cruciais. O Clube do Inferno possui as mesmas motivações, porém métodos diferentes.



X-Men: O Confronto Final – Considerada pelos fãs a adaptação cinematográfica mais infeliz da armada mutuna, Jean Grey surge como Fênix Negra sem nenhum tipo de desenvolvimento prévio além da sua morte de sacrifício no final do filme anterior. A atuação de Famke é ótima, porém o roteiro é pobre e cheio de furos. Magneto é o vilão no lugar do Clube do Inferno, Ciclope que é um personagem importante na mitologia da protagonista é inutilizado e Wolverine posto sob pedestal como em todos os outros filmes do time. 


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Uma última citação (que contém spoiler) que encerra a saga de forma genial:

"Jean Grey poderia ter vivido como uma Deusa, mas preferiu morrer e ser humana..."



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