terça-feira, 7 de abril de 2015

Ando lendo: Kobato - CLAMP




Eu não lembro qual era o meu estado de espírito quando li o primeiro volume de Kobato, mas lembro que pensei que não era a hora de começá-lo. Essa semana, quando realmente peguei firme para ler a coleção (que envolve apenas seis volumes) percebi que de fato as pessoas deviam lê-lo quando for 'uma boa hora'.

O mangá traz a história de Hanato Kobato, uma mocinha sem um passado definido que junto com um cachorrinho de pelúcia buscam encher uma garrafinha com corações consolados. Desde o começo eles já deixam claro que enchendo a garrafinha ela poderá realizar um desejo, e que ela quer ir para um lugar, mas ninguém fala para onde.

Kobato é meio estabanada, inocente de várias formas e tem um coração e um carisma gigantesco (Além de muito bonita). Os personagens da CLAMP, além de muito esticadinhos, têm essa coisa fofinha que gosto bastante. Mesmo os que querem vender ao leitor como os mais irritantes dos personagens, ainda assim parecem ter um coração nobre e de alguma forma são amáveis. Talvez seja essa a palavra que defina o que conheço da CLAMP... Amáveis.

Nessas andanças em busca de coraçõezinhos feridos nossa personagem principal vai parar na Creche Yomogi, que passa por dificuldades financeiras graças a uma dívida que o pai da diretora Sayaka teve depois de cair em um golpe da Yakuza. Esforçada e batalhadeira Kobato fica por lá para ajudar na creche.

Por conta desse momento ela conhece Fujimoto, que por coincidência também é seu vizinho e que tem papel importante no desenrolar da história. Conhece também Chitose, que doa o apartamento em que Kobato passa a morar e Takashi, amigo de faculdade de Fujimoto.

Antes de falar sobre os personagens em si eu gostaria de tirar um momento para falar sobre os mangás da CLAMP (Faz tempo que estou tentando puxar o assunto, vocês já devem ter notado).

Como as pessoas são sempre esforçadas.

Não há preguiça nessas histórias. Mesmo falando que estão exaustos a maioria sempre esta dando o melhor de si. E quando tem que se fazer algo, são sempre responsáveis e saem para terminar o trabalho, nem que precise se fazer mil bicos por aí. Se alguém precisa de ajuda, as pessoas atravessam a cidade correndo em busca do ser necessitado.

Como as pessoas sempre são educadas, gentis.

O tom de voz da turma é sempre meigo, sempre solícito. Os personagens sempre estão dispostos a ouvir o que o outro está dizendo. Sempre há uma preocupação se a pessoa está sendo inconveniente, se o outro está se sentindo incômodo, e aquele sentimento de como poderia ajudar.

Como as pessoas são sempre sorridentes.

Mesmo os que são tristes disfarçam suas tristezas com sorrisos. Talvez por causa dessa ideia de que se sentirem tristes e abatidos acabe sendo um incômodo para as pessoas que o cercam. Não passam isso apenas para que a pessoa finja ser feliz, mas sempre com aquela pitada de que tentar sorrir talvez anime a pessoa enquanto o problema não é solucionado (porque eles sempre buscam em paralelo resolver o problema. São esforçados, né. xD)

Como as pessoas são sempre altas.

Essa foi só pela zueira.

É bastante inspirador ver todas essas nuances nos personagens.

Ano passado tentei bravamente rever alguns animes que lembrava de ter gostado na infância. Comecei a ver Sailor Moon e me decepcionei absurdamente (polêmica). Respeito a importância que Sailor Moon teve e como ter mulheres guerreiras é legal e tudo, maaaaaaas... Me senti chateada com muitas morais que o anime trazia. Tava engolindo bravamente até o episódio em que Jupiter se propõe a trabalhar de faxineira na casa de um rapaz a fim de conquistá-lo (o que já achei bizarro) e quando descobre que tem uma namorada resolve que vai fazer de tudo para expulsá-la do país. Levantei, fechei o vídeo, e nunca mais sorri ao ver os cosplays que tanto gostava da Sailor Marte.

Aí comecei a ver Sakura Card Captor. E quando falam que existem várias coisas que a gente não percebia quando era criança eu digo que é verdade.

SCC prega todas as formas de amor, algumas mais questionáveis que outras, mas todas as formas de amor. E quando comparei com animes da CLAMP que eu conhecia (Guerreiras Mágicas de Rayearth, xxxHolic, Tokyo Babylon, X, ...) percebi que aquilo era uma filosofia. Uma filosofia que eu realmente gostava.

Sinto que quando fico um período vendo ou lendo algo assim levanto me sentindo com vontade de ser alguém melhor. E para não parecer muito fangirl, uma sugestão seria Fruits Basket, que não é da CLAMP e me traz o mesmo sentimento.

Tradução desse desabafo: “Por um mundo com mais histórias que inspirem o bem! \m/”

Voltando ao Kobato...

Digamos que só a busca da menina por encher a garrafinha não seja o único plot do mangá. O negócio fica interessante quando começa a ser revelado o porque dela fazer isso, o que ela realmente deseja, quem mais está envolvido e a história de todos eles.

O boneco não é só um mascotinho fofo. Ioryogi, o cachorrinho de pelúcia azul, está preso nessa forma porque foi muito sapeca e fez algo terrível em seu mundo original e agora precisa do desejo da menina tanto quanto ela. Junto com ele vieram alguns outros seres do mundo fantástico que também estão presos em formas diferentes.

Um personagem interessante dessa galera não humana que aparece é uma anja que se apaixona por um humano e fica aqui, vagando enquanto ele já morreu e reencarnou várias vezes, já que o tempo de um ser humano é muito diferente de um ser celestial. Achei bacana como ela comenta que quando ele nasce novamente ele não tem as memórias, e o encontro dos dois, para ele, começa do zero. E mesmo assim ela o ama de novo, e de novo, e de novo...

De um modo geral as histórias de boa parte dos personagens é sobre esperar pacientemente. Além do desejar o bem ao outro e não ter o sentimento de posse.

É um mangá curto, mas que achei que traz boas filosofias e boas energias (Hehe). Tem personagens que a gente guarda no peito e uma história bonitinha. Então fica aqui essa sugestão para quando for 'uma boa hora' para acalentar o seu coração. =3.

Kisses.





Nenhum comentário:

Postar um comentário