sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ando lendo: Aniquilação - Jeff Vandermeer



Livro aniquilação


Quando ouvi falar do livro Aniquilação me interessei de imediato, e não sei nem uma pista do porque.

Falaram que era um livro do gênero que estava começando a surgir, o weird (ou bizarro, estranho) e talvez esse tenha sido uma das razões para ter gravado o título na cabeça. Outro motivo pode ter sido a capa muito bonita, com filetes em verde laminado numa edição simpática e pequenina que na época parecia caber certinho no pouco tempo que eu tinha para ler.

Talvez tenha sido também por, a pessoa que me mostrou o livro, ter falado que dentre todos os personagens da expedição, todos os quatro eram mulheres, e por não ter falado nada como 'olha que legal, mulheres como principais!' como se fosse algo fora do normal.

A história segue a 12ª expedição do projeto governamental Comando Sul, que envia exploradores para a área X e pedem para os integrantes relatarem suas experiências, o que descobrem, observam, sentem, relacionam, tudo em diários. Na expedição que o livro acompanha temos quatro mulheres, uma bióloga (a narradora do livro que é no formato de diário), uma antropóloga, uma psicóloga e uma topóloga. E uma coisa sobe as expedições anteriores já sabemos, sempre terminou em tragédia.


A área X é um lugar meio esquisito que, ao que me pareceu, trás elementos que a gente conhece, mas misturados de forma muito pouco comum. Como animais conhecidos de determinada região convivendo muito bem em sistemas que têm plantas de um nicho completamente diferente. Fora suas reações diferentes dos bichinhos que já vimos na vida.

De fato, quando comecei a ler a palavra ‘estranho’ veio na minha cabeça algumas vezes, mas com o tempo acabei nem percebendo mais essas estranhezas. Algumas coisas não me incomodaram, porém vi em algumas resenhas que alguns leitores também tiveram a estranheza gerada por cenários meio 'gore', no sentido de gosmentas ou nojentinhas.

A bióloga diz logo de início que não falará nomes de ninguém e trata todo mundo por sua profissão. As relações entre os membros da expedição também são bem profissionais. Dá pra sentir um pouco da personalidade de cada uma, mesmo sem dizer nomes, o que dá sim pra criar então uma individualidade de cada personagem.

Por algum motivo consegui criar em minha mente um físico para cada uma sem que em nenhum momento tenha sido mencionado algo sobre isso. Talvez pela forma descrita de como cada uma realizava certas ações, ou sobre o que conseguiam fazer, um porte físico tenha sido formado na minha cabeça. Já a cor de cabelo que escolhi deve ter sido um sorteio mental dos cabelos das Spice Girls, sei lá.

Durante a narrativa sobre a expedição e as coisas que vão acontecendo com as meninas, a bióloga começa uns desabafos, meio que memórias soltas, sobre o relacionamento que tinha com seu marido. É engraçado como mesmo sendo o único passado explorado (já que ela é a narradora) achei as outras personagens mais interessantes. As vezes a nossa mente cria em torno do mistério coisas mais legais do que a realidade que nos é dada.

No fim das contas o livro acaba segurando o leitor muito mais pela questão argumentativa, de curiosidade sobre as estranhezas do que aparece ou acontece, do que por afeição a algo ou alguém. O que não perde o mérito, é uma estratégia valida tanto quanto a outra.


Na questão de escrita o autor foi bem fluido. Nada de palavras rebuscadas ou construções muito sofisticadas, que num livro tão pequeno não parecia ter sentido também. E as descrições dos lugares também não foram detalhados ao extremo ao ponto de ficar chato. Porém, é o livro 1 de uma trilogia... Um livro muito pequeno (nem 200 páginas em letras medianas) para ser um livro de uma trilogia.

Dei uma pesquisada nas versões estrangeiras e ao menos as capas dos outros livros são tão bonitinhas quanto. Aposto que é por isso que dividiram, hehe (brincadeira, não aposto nada)

É um livro bom. Não é um livro excepcional que mudou minha vida, mas é um bom entretenimento e que, pelo que parece traz um novo gênero o que é sempre bom de conhecer. Não sei nada sobre os próximos livros, pode ser que o autor consiga explorar ainda mais coisas, pois tem uma área X inteira para verificar, um punhado de questionamentos para responder, e agora então é ser positivista e esperar as próximas edições. (y)


2 comentários: