segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ando lendo: O Clube do Suicídio - Robert Louis Stevenson

Vi numa resenha do Videl dos Ratos Letrados ele falando sobre esse livro, e juntava duas coisas que eu não tenho o costume de ler: suspense e contos. Achei que caberia bem no mês de desafios e resolvi comprar. Logo ai já começou de fato meu primeiro desafio, saber diferenciar as duas versões, do mesmo autor, que estavam à venda na Submarino (merchan).

'O Clube do suicídio e outras histórias' e 'O clube dos suicidas' tinham uma sinopse parecida demais, o que me fez acreditar que o clube dos suicidas talvez fosse uma edição mais nova, com a capa bem mais bonita, mesmo que o título basicamente jogasse na cara que o primeiro livro é mais completo. Cacei, cacei e só encontrava resenhas da segunda edição (provavelmente pela capa mais bonita e preço mais singelo) mesmo assim fui no saudosismo e comprei a versão com 'as outras histórias', pois foi com essa capa que o conheci nos vídeos do Videl, e então foi com essa capa que resolvi ficar. Primeira impressão é a que fica.

Descobri que de fato é um livro bem mais completo. Vem com mais seis contos e alguns apêndices não inclusos na versão 'capa moderninha' que a maioria que eu achava na net estava fazendo resenha.

A edição é bonita. Hardcover (capa dura) clássica cinzinha, com uma luva (ou jacket) com uma ilustração bem no clima de suspense. 444 páginas amareladas que foram lidas numa fluidez linda... Ou não. Ai entra meu segundo desafio: Prefácios.

Se tem uma coisa (que me deixa passada, é gritar comigo, sem eu ter feito nada ♪) que me sobe os nervos é quando uma pessoa é chamada pra participar de um projeto do coleguinha e ela resolve que vai brilhar mais do que ele. Foi exatamente o que esse prefácio me causou. Não lembro quem escreveu, quero nem olhar, mas todas as linhas traziam objetos ou sujeitos acompanhados de adjetivos cheios de pompa.

Vou abrir aqui uma página aleatória e pegar a primeira linha que eu bater os olhos: 'Na narrativa romanesca, verdadeiro âmago de toda ficção'. H'm...

Vamos brincar disso novamente: 'A premência do tempo depois da terrível ação praticada, quando a cada segundo se abre para Markheim um verdadeiro abismo, para então a acossá-lo'

Deram sorte, essas frases foram até sossegadas comparado à outras que encontrei pelo caminho (duas linhas pra baixo, talvez). Oquei, entendo que o prefácio seja mais técnico, entendo que tenha sido resgatado de algum outro trabalho, entendo que a escrita talvez seja mais antiga, entendo uma quantidade grande de coisas, mas senti que houve um exagero proposital. O tempo todo que li tal introdução repetia para mim 'duvido que o autor tenha essa escrita, mesmo na língua original, imagine na tradução'. Dito e feito.

Fora o prefácio, o livro segue lindo de morrer.

Como eu havia dito, comprei achando que seria um livro mais assustador, num sentido 'O exorcista' ou algo do gênero; mas me deparei com um suspense muito mais 'O colecionador de ossos'. (Lembrando que comparo com filmes, já que não tenho costume de ler esse tipo de livros). Pra mim foi uma maravilha, nada de medinhos noturnos para aterrorizar meu soninho, muahaha.

Alguns contos são de ambientação bem reais como o caso do conto título, outros já trazem certo misticismo ou figuras mais assombrosas, outros ainda trazem um nível de ciência meio não realista; mesmo assim todos são bem bacanas. Outro ponto que notei é que eu, na minha ignorância do gênero, esperava continhos pequeninos, do estilo contos de sala de aula; mas, salvo algumas exceções, cada história aqui tem umas belas cem folhas. (Não tô reclamando, tô só apontando minha falta de informação. xD)

Mas então... Vamos falar um pouquinho de cada conto?

Eu não sei quanto da sinopse que escrevo pode ser considerada spoiler ou não, se quiserem pular essa etapa, entendo, se não, a graça está na leitura do livro em si, de qualquer forma.

O clube do suicídio.

Nessa história nos é apresentado um príncipe que gosta de sair na noite com seu amigo comandante. Para a segurança de vossa graça os dois se disfarçam e saem para sentir o movimento, a brisa no rosto, as festinhas que rolam... E numa dessas andanças encontram com um rapaz que vende tortinhas de creme.

Conversa vai, conversa vem, e o rapaz apresenta aos dois desconhecidos o clube ao qual quer participar. Nesse clube pessoas descontentes com a vida pagam para participar de uma espécie de roleta russa que utiliza cartas de baralho, onde é escolhido a 'vítima' e a pessoa que realizará o desejo da pessoa.

Não vou dar detalhes aqui, mas a ideia é que o clube se responsabilize em exibir para a sociedade uma morte acidental ou natural, ao mesmo tempo que tira o pecado do suicídio passando a responsabilidade da morte para um terceiro. (apesar que no meu ver a troca não foi de modo algum positiva).

Esse conto faz a gente pensar não só em como as pessoas pensam na morte, mas como muitas vezes elas pensam, mas podem não necessariamente ter o desejo real, lá no fundo do coração, de morrer. E podem nem saber disso.

Ps. Me intriguei com um dos personagens que aparecem, que está ali só pela adrenalina. ^^”

O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hide.

Provavelmente um dos contos mais conhecidos de Robert Stevenson, penso que nem precisasse de uma sinopse, basta dizer que sua tradução é 'O médico e o monstro'. Eu li sem saber desse detalhe, por isso me pareceu muito mais emocionante do que para quem sabe.

No final dessa edição da Cosac Naify tem um extra sobre o conto por Vladimir Nabokov onde ele acompanha o texto todo pedaço por pedaço.

Markheim

É um dos contos curtos do livro, então dar uma sinopse muito cheia de detalhes estragaria o momento. Posso apenas dizer que Markheim vai até um antiquário para comprar um presente de Natal para a esposa e o que acontece por lá que realmente é a história.

O demônio da garrafa.

Provavelmente o meu conto favorito.

Conta a história de um tiozão, chamado Keawe, que acaba comprando uma garrafa com um demôniozinho que concede ao seu possuidor absolutamente qualquer desejo terreno que ele peça. O ponto é que a pessoa que falecer com ela em sua posse terá a alma levada ao inferno. Outro ponto é que a garrafa só pode ser vendida por um preço abaixo do que foi comprada (se pagastes 100 de gold, terá que vender por no máximo 99,9 golds.)

O autor explica que a ideia por trás da garrafa de desejos não é dele, que apenas tentou deixar mais moderna, mesmo assim achei o conto bem diferente. Além de, entre os contos do autor, ser o único com pitadas românticas, no sentido casalzinho da palavra.


O ladrão de cadáveres.

Após um dos quatro costumeiros frequentadores de George (É o nome do lugar, achei o máximo, pois basicamente todos os meus personagens em jogos eu coloco o nome de Georgie) desapreciar demais um sujeito hospedado ali e não querer falar mais nada sobre o caso, os outros três amigos resolvem pesquisar sobre o passado dele. O miolo do conto mesmo segue sobre a conclusão que os amigos chegaram sobre a história de Fettes (o amigo nervoso com o desconhecido).

Fettes foi colega do Sr.Sujeito em seus tempos de escola de medicina, e trabalhavam juntos na surdina para um professor conhecido como Dr.K com o mórbido serviço de receber corpos para as aulas de dissecação. Com o tempo eles começam a se intrigar sobre o que fazem e resolvem ir atrás de onde vem tais corpos e é aí que as coisas desandam.

O vestíbulo.

Um conto bem pequenininho sobre vingança. Se da pra tirar uma lição daqui seria sobre aquela velha história de que seu inimigo você sabe que te atacará, mas seu amigo quando resolver atacar é ainda pior, pois você não espera e ele sabe suas fraquezas.

Fim dos resuminhos.


Apesar de ser uma tentativa em dois meios que não tenho costume (contos e terror(?)), gostei mesmo dessa leitura. Stevenson escreve muito bem, a tradução de Andréa Rocha ficou muito bacana, os personagens não passaram batido como costuma acontecer comigo com textos menores e cada conto me deu a impressão de ser de fato um livro completo. Recomendo muitíssimo, e se pudesse dar uma dica seria 'não escolha entre dois livros pela capa' hehe.


A edição apenas com o primeiro conto.

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