quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ando lendo: Psicose - Robert Bloch

Só gostaria de iniciar essa resenha rebatendo o que o Leonardo diz ter revelado na última resenha. Não sou de modo algum uma pessoa medrosa, tenho apenas um receio preventivo de algumas coisas.

Já comentei aqui, acho que em algum post sobre The Walking Dead, que sou uma pessoa meio impressionável e de criatividade fantasiosa muito excêntrica. Do tipo de gente que quando viu um trailer de American Horror Show de trinta segundos passou dias acordando com olho arregalado pro teto imaginando coisas horroroooooooooosas. Mas minha masculinidade foi atingida aqui, e graças a isso fiz uma contraproposta ao outro sócio desse blog. A partir dessa postagem, até o final de agosto, quando entrego o resultado do desafio com vampiros, só vão ter resenhas sombrias aqui.

Recuperarei minha virilidade na marra!!!

Então vamos bater um papo sobre Psicose.

Vou começar pela estética do livro em si, que é algo que eu não costumo fazer, mas que gostaria de experimentar agora. Quando cheguei na livraria Nobel a minha meta era pegar o Drácula, mas só tinha por encomenda, e a moça ficou achando que eu adorava terror, me mostrou um monte e acabei decidindo levar Psicose que já é conhecidão do cinema. E já que já estava lá... #Recalque

Versão hardcover linda de morrer
Lá havia duas versões desse livro; uma capa dura linda de morrer, mas que era vinte contos mais cara que outra, a humilde que acabei trazendo para casa. As duas edições são da editora Darkside, e na semana seguinte (Pareceu até que foi pra mim, a louca que passou a manhã escolhendo um livro de suspense) a vitrine da Nobel estava repleta de livros dessa editora.

E tenho que dizer que capricharam nas edições. Todas estão bacanas e em sua maioria disponíveis em hardcover e também na edição singela que o bolso da tia Be paga sem sentir culpa. *-*

De qualquer forma fiquei feliz quando abri minha edição e tinha um marcador do seriado inspirado nos personagens do livro como brinde, Bates Motel, transmitida pela Universal.

Não sei se é algo exclusivo das edições da Darkside, ou se já estão fazendo isso em todas as versões mais recentes, mas existe um momento do livro que me deu um susto tão grande, mas tão grande, que o fechei no pânico e joguei ele longe. Não quero revelar pra ninguém, mas se posso dar uma dica seria 'não folheie o livro antes de terminá-lo'. Vai lendo ele na paz, folhinha por folhinha, leia a noite, crie um clima, uma hora você quase morre do coração também. (Porque no outro dia, quando fui rever, me pareceu bem besta o motivo do meu terror. ¬¬)

Minha versão
A história começa com Mary Crane rumo a cidade de seu namorado com o dinheiro que roubou da empresa em que trabalhava. Para uma recém-formada ladra tudo corria bem, até que ela erra a estrada principal e acaba passando por Bates Motel, onde resolve passar a noite.

Não considero spoiler dizer que Mary foi assassinada durante o banho. Não só por ser uma cena clássica que Hitchcock trouxe dos livros pro cinema, mas por ser apenas o primeiro plot. O livro mesmo é policial e segue com a busca pelo assassino de Mary Crane.

Entre os personagens envolvidos existem a irmã de Mary, Lila, que vem pra cidade em sua busca, que primeiramente era considerada como desaparecida, Sam Loomis, o namorado que conheceu num cruzeiro, o investigador, mandado pelo chefe da empresa que Mary deu o calote, e os Bates.

O motel palco desse assassinato é dirigido por Norman Bates, um homem de quarenta anos que sempre viveu nessa pacata cidade e já era conhecido por ser alguém um pouco recatado. Conforme vai desenrolando o livro vamos notando que sua mãe, Norma Bates era uma senhora bastante controladora, e que Norman foi se tornando alguém muito suscetível à se inferiorizar diante dela.

Versão velha americana
Sempre que alguém comentava para mim sobre a relação mãe e filho em Psicose me faziam crer que Norma era uma pessoa extremamente violenta, e que o filho desde criança era muito maltratado. Vou desconsiderar o que estão mostrando na série, pois nem cheguei a assistir, nem acho que a inspiração vir do livro signifique que possa usar como base para os personagens, mas, sinceramente, não senti que ela seja tão cruel assim baseado no que entendi do livro.

Robert Bloch fala sim que a mãe foi se tornando uma pessoa mais dura e muito pouco carinhosa, mas em nenhum momento ele cita algo realmente cruel na criação de Norman como era me passado pelas pessoas. Se teve esse trecho, eu não li direito. Na verdade um trecho que lembro bem vem de um dos diálogos entre eles onde a mãe diz ao filho como ele nunca tentou se impor, trocando em miúdos, como nunca tentou sair debaixo de sua saia.

Conforme você vai lendo você vai sendo encaminhado para os possíveis assassinos, e é bem possível que entre os seus suspeitos esteja sim o verdadeiro, o diferencial dessa trama é em que circunstância essa pessoa se torna a assassina. Considero esse como o real plot twist dessa história.
Me passa a toalha, broto.

Diz a lenda que Alfred Hitchcock comprou milhares de edições do livro e as guardou bem escondidinhas para preservar a surpresa do final em seu filme. Outra curiosidade é que a inspiração de Robert Bloch veio de um homem real, chamado Ed Gein, a mesma mente doentia que inspirou o serial killer Bufallo Bill em Hannibal, o silêncio dos inocentes, e Leatherface de O massacre da serra elétrica.


Psicose é um livro excelente, que está muito bonito nas edições da Darkside e com a tradução bem fluida, uma história de detetive muito boa, além do principal que é a abordagem sobre a mente humana. Esse vale o bordão Dedão Bottini de qualidade. 




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