quarta-feira, 25 de junho de 2014

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club - 2013)

Clube de Compras Dallas é um drama de 2013 dirigido por Jean-Marc Vallée que conta a história de Ron Woodroof. Um cowboy eletricista que no auge de sua macheza descobre que tem AIDS, na época, uma doença considerada pela galerê popular exclusiva de homossexuais.

Ron Woodroof, interpretado por Matthew McConaughey, realmente existiu, e não dá pra ter certeza se seu lado preconceituoso era tão descarado como mostrado no filme. Mas é exatamente essa mudança do extremista para o que ele se torna no final um dos pontos que o torna interessante.

O filme se passa em Dallas (e viva aos títulos autoexplicativos) no estado do Texas, um estado conhecido até por mim por ser muito fechado com esse tipo de situação. Você soma isso com a mentalidade geral que era em 1985 e temos um grupo de vaqueiros extremistas que têm seus empregos, suas festas de peão (nada contra festa de peão, eu vim de Goias e curto bagarai), suas drogas, bebedeiras e mulheres... Muitas mulheres.

Não foi usado apenas uma cena das festinhas de Ron com mais de uma moça num rala e rola frenético. De fato qualquer oportunidade que tinham para o nosso cowboy arranjar uma garota era mostrada. E não digo isso criticando negativamente, isso mostra bem como era a mentalidade e o tipo de vida que ele levava, e isso é importante para se perceber como ele chegou naquela fase.

Quando o nome da doença aparece a primeira reação do protagonista é se sentir ofendido com os médicos. Segundo fontes confiáveis como a Wikipédia (heuiaheuia), Ron, o original, chegou a ir no consultório de seu médico com uma arma o obrigando a o 'demitir' como paciente. Depois mandou flores para ser readmitido ao cargo. *Yao ming meme*

Woodroof (o sobrenome do cara, pra quem já esqueceu) passa a pesquisar por contra própria sobre a doença, descobre como se pega, e tem aquela lembrança nítida de como diaxu isso veio para em sua vidinha de eletricista baladeiro. Nessas pesquisas passa a descobrir também outra coisa: A industria farmacêutica.

A doença que se espalhava loucamente ainda era novidade, e não havia nada realmente confirmado para solucionar os portadores. As industrias dos estados unidos na época faziam testes com o produto AZT, onde pacientes escolhidos eram divididos nas classes que recebiam de fato o remédio e os que recebiam placebo, na intenção de saber se estava ou não fazendo efeito.

O ponto é que isso era muito controlado pelas industrias e Ron tinha uma expectativa de 30 dias de vida. No desenrolar da coisa acaba indo pro México atrás do remédio, onde descobre que o AZT é na verdade altamente tóxico; conhece outras formas de tratamento, muito menos agressivas e tem a brilhante ideia de comercializar isso nos isteitis.

Apesar de serem proteínas, vitaminas, babosa e o início do coquetel que conhecemos, vamos ter aqui uma revelação bombástica: A industria não curte não receber os lucros.

A ideia do Clube de Compras Dallas foi genial. Vender medicamentos de outro país pode ser ilegal, mas distribuí-lo para os sócios mensalistas do seu clube não. xD. Isso não impede, claro, da fiscalização reter seus frasquinhos quando bem entender alegando alguma coisa. Nem de fazer com que a importação desses remédios se torne exclusiva de médicos e afins.

A mudança física do ator Matthew para o papel foi gritante, a fisionomia muito mais magra, a cara abatida, até no esverdeado no tom de pele o pessoal da maquiagem caprichou. Todas as interpretações nesse filme ficaram muito boas.

Mas tem um personagem que eu gostaria de pontuar.

Rayon é uma transexual muito, mas muuuuuuuuuuuuuito mais feminina que eu. Jared Leto, vocalista da banda 30 Seconds to Mars, tá impecável nesse papel. Por mais que Rayon seja uma pessoa muito mais gesticulosa (não achei uma boa palavra para isso) ela não é interpretada de forma grosseira, como geralmente fazem quando querem interpretar alguma perua que simplesmente saem bem caricaturada. Leto fez isso de forma delicada (hehe) é mais espontânea e detalhada.

Desde a forma como a boca mexe, até o modo como os olhos observam ao seu redor Rayon é feminina. Isso eu achei muito sutil na interpretação e muito bem explorado. Em uma das cenas Rayon está vestida com roupas masculinas e ela não me convence. Ela está parada, vestida de hominho, e é como se a roupa não coubesse, não combinasse ali.

É Rayon quem ajuda Ron a começar seu clube conseguindo os clientes. Gostaria de colocar aqui um momento especial para um dos primeiros clientes que aparecem, um casal onde um deles está sofrendo muito com a doença e graças à esses remédios passa a melhorar demais. Quando esse casal retribui o favor vemos aqui Ron muito mais como um auxílio, um benfeitor, do que um traficante de drogas que apenas quer lucrar.

A relação dos dois fundadores do clube é muito importante para a história. É uma coisa sincera, sem meias palavras, que surgiu aos trancos e barrancos e foi mudando gradativamente. O machão que achava que a moça de jaleco só podia ser enfermeira, agora é um cara que, grosso como sempre foi, consegue conviver muito mais com qualquer pessoa. (Só queria deixar essa mensagem de que você não vai mudar sua personalidade mudando suas ideias. Hashtag Filosofando)


Esse é um filme que como um todo já é uma história excelente e mesmo picando em mil pedaços ainda seria recheada de cenas importantes, onde cada uma abre espaço para mil novas questões. Está recomendadíssimo, um dos melhores dramas que vi ultimamente. =)

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