terça-feira, 13 de maio de 2014

[Resenha] Closer: Perto Demais – Mike Nichols



No último domingo (11/05) assisti pela milésima vez o filme Closer. Mesmo tendo-o assistido várias vezes eu não consigo me cansar, não consigo me sentir entediado ou enjoado! Simplesmente amo esse filme e nessa resenha vocês leitores vão entender o porquê desse amor. 


O filme é dirigido por Mike Nichols e nos apresenta uma inteligente, romântica e dramática história de amor sobre encontros inesperados, paixão à primeira vista, traições casuais, instabilidade emocional e perspectiva moderna. Esse filme é de 2004, eu fui o assistir bem depois do lançamento e na época me lembro de não esperar muita coisa. O elenco é simplesmente incrível e muito pequeno, quatro personagens sustentaram um roteiro denso e não pareceram fazer muito esforço pra isso. Esse quarteto é formado pelo jornalista de obituários, Dan (Jude Law), a Stripper nova-iorquina, “Alice” (Natalie Portman), a fotógrafa Anna (Julia Roberts) e o médico Larry (Clive Owen).  Como eu não quero escrever nenhuma sinopse do filme, e sim deixar bem claro toda a minha admiração, levantarei tópicos sobre tudo o que mais gostei nesse filme, espero que quem não tenha o visto pare de ler imediatamente! :D



Os Quotes

O que é “quote”?
Inglês - Português - quote
s. citação; singular de aspas
v. citar; lembrar, mencionar (com o objetivo de enfatizar uma opinião); especificar o preço, determinar o preço; pôr entre aspas


Sempre vi quotes como retalhos de existência e Closer, bom, é recheado deles! Alice com certeza fala os melhores, como eu disse anteriormente, perspectivas fortes são esboçadas através de personagens muito diferentes. Algumas são muito emocionais, outras cruas, pessimistas e até irônicas. Como no filme não vemos, de fato, muitos acontecimentos, o diálogo é bem sincero e forte, resultando ótimas frases. Minhas favoritas são:


“É uma mentira. É um bando de estranhos fotografados lindamente, e todos os brilhantes idiotas que apreciam arte dizem que é lindo, porque é isso que eles querem ver. Mas as pessoas nas fotos estão tristes, e sozinhas, mas as fotos fazem o mundo parecer bonito. Então ficam exibindo, o que torna isso uma mentira, e todo mundo ama uma grande mentira.” – Alice

”Não diga isso! Não ouse dizer que eu sou bom demais para você. Eu sou, mas não diga.” - Larry

“Eu sei quem você é. Eu te amo. Eu amo tudo em você que dói.” – Larry

“O que há de tão bom na verdade? Tenta mentir para variar, é o jeito do mundo.” – Dan

“Não pare de me amar. Eu posso ver isso saindo de você. Sou eu, lembra? Era uma coisa estupida a fazer e não significou nada. Se você me ama o suficiente, você vai me perdoar.” – Anna

“Aonde? Me mostra! Aonde esta esse amor? Eu não posso vê-lo, eu não posso toca-lo, eu não o sinto, eu não posso ouvi-lo. Eu posso ouvir algumas poucas palavras, mas eu não posso fazer nada com essas suas simples palavras!” – Alice


 Os Diálogos 

Os diálogos possuem a mesma pequena explicação que dei acima, quando comecei a falar sobre os quotes, eu preferi separar esse tópico do anterior porque dessa vez não se trata de uma só coisa dita por uma só pessoa. Os maiores diálogos do filme são do Dan com a Alice, logo eles possuem os mais interessantes. Através desses diálogos o ser humano é exposto como uma criatura complexa e imprevisível; A obsessão de Dan a ponto de o fazer entrar em chat fingindo ser Anna e também quando observamos a frieza da stripper conversando com o dermatologista que estava devastado. A densidade das conversas mudam de uma cena pra outra, podemos ver o tempo passar, relações formarem, notar que fatos aconteceram através de menções esporádicas dos personagens. Percebemos isso na exposição de fotografias de Anna onde a mesma diz que já está com Larry à quatro meses (e posteriormente quando descobrimos que eles se casaram) e também quando Dan decide deixar Alice por estar apaixonado pela fotógrafa e é citado algumas ocasiões.



Dan: O que faz quando não ama mais?
Alice: "Eu não te amo mais, adeus!"
Dan: E se você ainda ama?!
Alice: Não vai.
Dan: Nunca abandonou ninguém que ainda amava?
Alice: Não!
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Alice: Eu não como peixe.
Dan: Porque?
Alice: Eles mijam no mar.
Dan: As crianças também.
Alice: Eu também não como crianças.
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Dan: Você arruinou a minha vida.
Anna: Você supera.
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Dan: Eu não quero te machucar.
Alice: Então porque faz isso?
-

Trilha Sonora

Cena do clip da música "The Blowers Daughter"
 de Damien Rice
Existe maneira mais perfeita de se começar um filme do que com a música "The Blowers Daughter" de Damien Rice? Bom, imagino que sim... Mas foi tão belo, tão tocante e tão simples ao mesmo tempo. Vários trechos da ópera Così fan tutte, de Mozart, é tocado como música incidental, lembro-me que meu fascínio com o filme tão grande que baixei toda a trilha sonora e a ouvia várias vezes seguida no meu CD player (assisti o filme em 2006, não tinha um mp3 ainda)! Tem também aquela música brasileira “É melhor ser alegre que ser triste....” que já tocou em alguma novela do Manuel Carlos que eu sei...


Sensualidade Sem Exageros

O elenco é impecável, nenhum dos atores possuem nenhuma particularidade física que possam os definir como "feios", são sensuais e no filme esbanjam desses atributos sem forçarem ou parecer vulgar. Não acho nem que a parte do cube de Strip tenha forçado na apelação sexual, Natalie Portman exibiu um corpão e conseguiu parecer uma serelepe garota inteligente e sarcástica. Não estou dizendo que os personagens exigiam beleza por parte de suas relações, existe mesmo uma cena no filme em que Anna afirma pra Alice: "Você tem um rosto ótimo." e Alice responde: "Todos temos, não é mesmo!?", não creio que o diretor quis transmitir superficialidade.


Amor


 Apesar de achar o amor apresentando pela perspectiva de Daniel um tanto enjoativo, gostei de ver a reação de cada um dos personagens em relação ao sentimento. Através de encantamento, romance, traições, jogos de palavra e sedução vemos o “retângulo” amoroso se contorcer, esquentar, esfriar e até se debater! Acusações e ataques são feitos, notamos ciúme, desejo, dependência e até uma parte de depressão no decorrer da trama. Depois de assistir ao filme tantas vezes me pego pensando nos personagens e no que eles sentiam com tanta intimidade que chego a me envergonhar!


Alice Ayres ou Jane Jones?


Minha personagem favorita. Foi com esse filme que aprendi a amar Natalie Portman e seu trabalho incrível. Alice Ayres que na verdade é Jane Jones é cativante ao extremo, suas cenas com os outros personagens beiram o inacreditável. Minha cena favorita é representada pela foto ao lado no clube de Strip onde ela e Larry protagonizam o seu segundo diálogo, as evasivas de Alice foram muito espertas, a frieza e sensualidade da personalidade dela é espetacular, os momentos de apelo do doutor chegam a ser cômicos. Em minha opinião, Alice é a personagem que mais sabe amar de todo o filme, justamente a mais nova do elenco! É a única que tem a cabeça no lugar, enquanto Larry joga, Anna pensa e Dan chora... Alice demonstra uma certa praticidade, o que também é encantador!

“Mentir é a coisa mais divertida que uma garota pode fazer sem tirar as roupas... mas é melhor se tirar.” - Alice


"Sultão da Mulherada"

A primeira vez que vi Closer (sim, foi dublado), “Sultão da Mulherada” (não me lembro como o apelidaram em versão original) era o apelido que Dan dá sem querer a Larry, o que é engraçado, já que em retribuição o doutor o apelida de Cupido! Larry aparenta ser grosso, obsessivo, ciumento e até um pouco nojento... Mas as aparências enganam, ou o fato é que eu simplesmente não consigo enxergar o dermatologista dessa forma. Depois de Alice, é meu personagem favorito, o acho um homem inteligente, engraçado, perspicaz e até um tanto estrategista! É o único do filme a terminar com o que quer em mãos (Anna), e parece dormir tranquilo pós todas as voltas e reviravoltas.


Anna e Daniel

Dan e Anna se seduzem logo depois da primeira cena do filme, eles tem um diálogo até legal e logo apontamos as principais diferenças entre as duas mocinhas do filme. Da primeira vez que vi o filme, pensei ter perdido alguns momentos da atração fatal entre esse casal, mas a verdade é que foi aquilo mesmo... Meio do nada! Não tenho nada contra a Anna, e nem a favor! Já em relação ao Dan, acho o contrário... Acho ele um pé no saco, que não sabe o que quer, trai algumas convicções e dogmas e meio que se põe em um pedestal. Conheço muita menina que tem imortalizado o Jude Law e etc. e realmente acredito que ele tenha feito uma excelente interpretação do personagem que foi pedido no roteiro... Só que esse personagem é deprimente, na boa. Desculpa aí se você é fã do Daniel, mas eu particularmente não gosto.

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É obviamente uma visão meio pessimista da realidade, e ao mesmo tempo bem típica da galera do século XXI, abarrotado de sentimentos, marcado por personagens singulares, diálogos fortes e trama fantástica Closer: Perto Demais se encerra sem um final feliz, com a mesma música que começou, sem adição de personagens relevantes. Deveria ter comentado sobre a fotografia do filme também,e  aí vai o comentário:  É boa! Nada que tire a atenção das interpretações incríveis, mas é bem agradável de se ver Londres por esse ângulo. Volto a bater na tecla em que afirmo que é um dos melhores filmes contemporâneos e recomendo a todos, por ser único, eficaz, distinto de muita idealização que cercam as produções desse gênero! 


8 comentários:

  1. Análise sensacional!
    "É a única que tem a cabeça no lugar, enquanto Larry joga, Anna pensa e Dan chora..."
    Que precisao!

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  2. realmente! essa frase resumiu o filme

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  3. Uma das melhores análises que já li. Parabéns.

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  4. Amei a análise! Sou tão obcecada por este filme que fico procurando resenhas para constatar que não sou a única que acho este filme genial. Meu filme favorito, nunca vou me cansar de assistir!

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  5. É um filme um tanto confuso, me pergunto por que Alice mentiu sobre o seu verdadeiro nome durante toda a trama e só revelou ao dermatologista, durante o streaptease que seu verdadeiro nome era Jane, mesmo ele não tendo acreditado?! Ela seguiu amando o Dan mesmo depois do que ele fez e quando finalmente retomaram o relacionamento, ela deixou de ama-lo? Creio que muitas perguntas ficaram sem respostas, mas é um filme mediano, o diálogo entre os personagens é ótimo e por vezes, um pouco enigmático, talvez eu o assista de novo, para tentar entender melhor.

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  6. Eu tenho um pensamento d filme Alice nunca foi verdadeira ,como ela diz na conversa com Larry quando ele disse q conheceu ela a um ano atrás , ela respondeu - aquela n era eu (acho q foi assim mesmo) então nessa parte eu percebo q ela gosta de ser stripper ,"vcs são frias,protegendo suas identidades" como Larry disse e ela mesmo quando disse q "mentir é o melhor divertimento"...Meio louco n sei mas acho q é exatamente isso,penso em algumas alternativas ela talvez quis mudar,parando de ser stripper e talvez gostou um pouco msm do dam ou era tudo farça e ela gosta mesmo de ser stripper ,fria ,mentindo para se divertir mas talvez possa ter gostado msm de Dan ( essa é a q mais acredito ,mais ainda pelo final de ela andado na rua ,toda segura ,e para eu um sorriso escondido no rosto ,sabendo q todos a olhava)

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  7. Acabei de ver o filme novamente e até q achei melhor agora q na primeira vez q vi no cinema.
    Achei a sua perspectiva interessante e me vez gostar um pouco mais do filme.
    Gostei do fato de fazer a gente sentir as emoções dos personagens. Me fez pensar qual seria o meu sentimento se eu fosse cada um dos personagens. E isso me trouxe uma montanha russa de sentimentos.
    Interessante que no final do filme - com um banho de realidade, parece deixar uma pergunta no ar: pq nós seres humanos teimamos em fazer coisas que ferem os outros e a nós mesmos para satisfazer o nosso simples capricho da curiosidade, se no final ficaremos com a dor, as cicatrizes e tudo mais q nos deixa calejados pela vida?
    Seria a vida realmente tão cruel? Eu conseguiria viajar tentando analisar o comportamento das pessoas refletido nos personagens. Mas talvez não valha a pena, pq precisaremos desse tempo para vivenciar os romances, as paixões e traições, a crueldade, os arrependimentos da nossa realidade - mesmo q sejam em situações diferentes e amores diferentes...
    Nos resta esperar que jamais percamos a esperança de que podemos ter um fim diferente na nossa vida real.

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  8. Acho que a Alice e a Jane são duas pessoas diferentes, dentro de uma só, porém ela faz uma distinção, Alice é a "personagem" que ela cria quando chega A Londres, a que se apaixona pelo Dan e Jane é a stripper que conta a verdade pro dermatologista. Quando ela se viu contra a parede pelo Dan, tendo que contar quem era ela, ela não poderia ser mais a Alice, logo não poderia mais amar o Dan, porque a Jane não ama o Dan e por isso ela vai embora

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