sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Quem é você, Alasca? - John Green

Sempre que um livro, autor, filme, qualquer coisa, se torna muito popular, principalmente entre a molecada de seus 13~14 anos, meu preconceito acende o alerta e eu viro a cara. Então quando vi o livro A culpa é das estrelas estourar nas vitrines de todas as livrarias eu dei uma ignorada.

O negócio é que bastante gente que costumo ter opiniões semelhantes falavam muito bem do autor, então, resolvi que iria arriscar num estilo de literatura que fazia tempo que não pegava pra ler. Como já estava saturada daquela capa azul, resolvi começar com outro livro: Quem é você, Alasca?

É um livro Young-Adult (que poderíamos colocar como um jovem-adulto, entre o juvenil e o adulto propriamente dito), e como todo YA tende a ser simples na escrita, o que é gostosinho, pois em uma sentada você termina o livro (eu li em um dia); e acaba entrando naquela fórmula que quem costuma ler o estilo já deve ter entendido como funciona.

Quem é você Alasca? conta a história de um rapaz chamado Miles que não tem uma vida muito animada em sua cidade e resolve ir para essa espécie de colégio interno em busca de seu 'Grade Talvez'. É o mesmo lugar onde o pai estudou, e é válido citar que a relação com os pais dele é bacana, nada de dramas e tal.

Nesse colégio passa a andar com uma turma do barulho formada por Coronel, Takumi, Lara e Alasca. É uma galerinha inteligente, onde eles se esforçam nos estudos, mas não se fixam nisso e têm seus gostos para diversão.

Miles vai se envolvendo com Alasca, que devo dizer que como personagem é o tipo que mais me irrita. Pelo que Miles descreve ela não chega a ser a mais bonita da escola, mas para ele é a mais legal. Ela tem uma birrinha feminista contra a hierarquia patriarcal que na metade do livro já deixou de fazer efeito em mim e passou a ser só irritante.

Ela também é bastante impulsiva, o que, as vezes acho divertido nas pessoas, mas que quando são somados à um desleixo pelas consequências me faz ignorar esse tipo de gente. E Alasca é assim. É bastante semelhante com outros personagens do livro que li na sequência, Tom e Daisy de 'O Grande Gatsby'; gente que não pensa pra fazer, e parece não se importar em ao menos tentar aprender com os erros.

Seja como for ela trás vários pontos interessantes pra se pensar que não poderia comentar sem uma linha de zona de spoilers separando. Então deixarei essa sessão pra mais tarde.

Uma coisa que me deixou com certa vergonha alheia foi os apelidos de certas coisas, como McIncomível e Guerreiros de dia de semana. Sei lá.. Talvez tenha sido na hora da tradução, mas minha melhor hipótese é que estou velha pra isso mesmo. XD

------------- Zona de Spoilers --------------

Um trecho que achei interessante foi quando Alasca vai com Miles pelos quartos de outros alunos e começa a vasculhar o que essas pessoas fazem. Achei bem interessante ver a relação de como são as pessoas a partir do que têm no lugar onde vivem, do que escondem e por aí vai.

Voltando pro tema Alasca, no início achei que era a história de uma menina em início de depressão. Me pareceu haver sim alguns sintomas, mas depois me pareceu só uma guria impulsiva demais até na hora de rir ou chorar. Houve uma explicação pra ela ser assim, e como é um personagem adolescente, achei que foi válida.


Eu suspeitei do que aconteceria com ela, pois o livro é dividido em antes e depois, e por ser um dos ingredientes mais comuns em literatura YA. Mas como o título em inglês é 'Looking for Alaska' (procurando por Alasca) pensei que ela poderia, quem sabe, ter desaparecido. No fim, era o que havia pensado antes. Enquanto Miles pensava no tema da morte vários pontos iam sendo lembrados, o fato de todos morrerem, da energia que se renova, de quão repentino pode ser, das coisas que ficam pela metade, etc.

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É um livro bacana, com a escrita leve, mas sem ser muito infantil. Dos livros voltados para esse público é um título que não trás personagens tão vazios e caricatos como é o costume, trás o cotidiano de adolescentes de uma forma sincera e é bem agradável de se ler. Recomendo. =)




9 comentários:

  1. Looking dor Alaska não é uma das melhores obras do John Green e Alaska é uma personagem um pouco irritante, mas o bom dos personagens do John é que eles costumam ser inteligentes. Sim, A culpa é das Estrelas é um bom livro na minha opinião. Essa popularidade dele chega a me irritar. Isso faz com que as pessoas leiam só porque é uma "modinha" e não percebem o real significado do livro, a mensagem que ele tenta passar, etc.
    "Pais e filhos musica do Renato Russo é uma musica triste, fala de suicídio e algumas pessoas ouviam e cantavam várias vezes e não percebiam isso"

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  2. Ta mas entoa ela realmente morreu no final?

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Acho ''irritante'' na verdade é isso que você faz de separar os livros por idade, e vc deixa isso bem claro em tudo que fala, o que separa é questão de gosto e isso é inegavel mas pra você dizer que não gosta vc precisa ler antes de virar a cara pra alguma coisa pelo o que as outras pessoas fazem e dizem. muitas pessoas leem sim por modinha e eu realmente não ligo pra esse tipo de gente que fazem as coisas pensando nos outros, mas bom de um jeito vc tbm faz isso de um jeito contrario, mas faz, então as vezes tbm é legal olhar pro prorio umbigo em fez de sair julgando, uma coisa que o green tem é talento, e os livros dele tem o reconhecimento que ele merece pode ate parecer modinha mas é o sucesso dele também, então não fale o que não sabe. boa noite :)

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    1. "...se torna muito popular, principalmente entre a molecada de seus 13~14 anos, meu preconceito acende o alerta" Foi exatamente o que eu falei, então gostaria apenas de levantar certas coisas que podem ter ficado desentendidas.

      Eu não disse que o livro é específico para essa idade, o YA tem como alvo uma faixa bem maior, eu falei que estava popular nela. Também não disse que eu achava John Green ruim, longe disso, eu elogiei no decorrer do texto. Eu disse que eu tenho um preconceito com as coisas populares e que estou trabalhando para melhorar, alias. Eu critiquei o meu próprio preconceito. o.õ

      O YA é um gênero bastante criticado e talvez tenha sido essa crítica massiva por aí que tenha ajudado a criar meu preconceito e que também tenha te deixado já saturada, por gostar de algo que muitos criticam, e já vir com tanta raiva acumulada. Mas eu entendo também que o gosto por algo, assim como uma amizade, vem com o tempo, com o conhecer. Estou conhecendo, estou aprendendo a entender, e expus essa minha falha aqui, já mostrando que estou trabalhando em mudá-la.

      Gosto de falar quando não curto um gênero, que dei uma chance a ele e que ele me surpreendeu positivamente. Para incentivar as pessoas que me leem a tentar também, pois no fundo todos temos um preconceito a ser mudado. Os meus são Young Adult e Terror, podia ser qualquer coisa, o importante é ter a consciência e dar essa chance. =)

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  5. Muito bom!
    Parabéns pelo texto... E parabéns, também, pela resposta ao comentário anterior... Mostra que é muito segura e convicta dos seus ideais, como também a simplicidade do seu ser. Que apesar de receber uma crítica, não lhe fez responder com o mesmo nível de "saturação"...
    Forte Abraço.

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