domingo, 12 de janeiro de 2014

Breaking Bad - Vince Gilligan

Quando começou a aparecer a febre sobre Breaking Bad achei que fosse mais alguma coisa no sentido de Lost. Aquele tipo de seriado que todo mundo ia amar, mas que não ia me trazer nada de emocionante. Ignorei a série por temporadas, até que ela estava acabando e a febre aumentou... A peguei também.

Assisti tudo muito rápido, o suficiente para nem pegar tantos spoilers assim, e no fim, uma dos melhores seriados que assisti nos últimos tempos.

A história de um cinquentão superinteligente chamado Walter White, que ganha a vida como professor de química, que tem hipoteca para pagar, uma esposa grávida, um filho com deficiência e um câncer no pulmão. Ao acompanhar o cunhado policial em uma investigação sobre drogas Sr. White vê um ex-aluno, Jesse, envolvido nesse meio e tem a brilhante ideia de seguir tal cam
inho e passar a fabricar metanfetamina.

Depois disso ele vai se enroscando, e enroscando Jesse, em situações que, inexperiente no assunto, ele não faz ideia de como se livrar e sempre acaba piorando a situação. É uma série com temáticas pesadas, mas que passa de uma forma que te prende bastante.

Opinião pessoal: Me irrita profundamente ver todo mundo exaltando Walter White.

Entendo que muitos achem mágico ele ser um gênio e transmitir uma confiança hiperbólica, mas esse amor absurdo dos fãs me passa a sensação que a qualquer momento as pessoas vão botar como líder qualquer caboclo com ar de 'fodão' (desculpe os palavrões), mesmo que ele esteja deixando bem claro o tempo todo que vão matá-las. Hittler feelings.

De qualquer modo talvez seja esse um dos intuitos do seriado, deixar visível como as pessoas podem exaltar alguém que está claramente do lado negro da força se este for bem convincente enquanto faz isso, além de apresentar como alguém pode se tornar um monstro dependendo das situações em que são envolvidas e da força de seus próprios princípios.

É um seriado excelente, recomendo sem sombra de dúvidas.

A partir daqui vou jorrar spoilers a rodo, dar opiniões a rodo, fofocar sobre a vida de personagens a rodo, então vamos que vamos...


----------- Linha de divisa para liberação de spoilers -----------

Um dos pontos que sempre falam é da teoria das cores que envolve o seriado. A direção confirmou esse aspecto que desde o princípio podemos observar tanto na ambientação como nas roupas escolhidas para cada personagem e durante cada fase da vida deles.

Walter, o tiozão ambicioso, tem como cor predominante o verde, a cor da ganância, e sempre em tons sóbrios, sem vida, como se fosse consumir a alegria de todo mundo em volta.

Skyler White, a esposa, passa por várias cores durante a série, inclusive a verde, durante o período de transição em que começa a participar das obras de Walter como sua lavadoura de dinheiro e enquanto está como contadora safadinha de Ted, seu ex-novo-patrão, e passa a se preocupar mais com a renda da família.

Ela começa com azul, uma cor que simboliza lealdade e tristeza, e vai passando pelos perrengues da vida (heuhuiahuie) e mudando suas cores até terminar em branco, que mesmo no todo torto de sua situação no final da temporada, pra mim, ainda significa a paz que conseguiu achar.

O cunhado Hank, o cara que eu mais gostaria de chamar de brow e ter em minha residência para um almoço festivo, tem como cor predominante o marrom, uma cor sóbria, uma cor de firmeza e convicção, em algum momento ele usa o vermelho, na sua época mais agressiva, ainda assim é um vermelho mais escuro, mais sério. Sua esposa Marie lota a si e a casa de roxo, uma cor que traz proteção. São um casal muito unido, muito mesmo, acho isso muito bonito durante o seriado.

Jesse, que se torna o principal da série junto com Walter também tem cores bem definidas, vai desde o amarelo vibrante, até a fase vermelha violenta e a preta, e sua casa também vai acompanhando essas cores. Na verdade até o carro acompanha. XD

Eu sei que o Jesse também faz muita caca durante a série, mas ainda assim não consigo realmente detestá-lo como acontece com o Walter. Talvez a cara de arrependimento que ele passa pra gente de certa forma me convença. Eu seria uma péssima juri, provavelmente o condenaria, mas iria levar uns bolinhos e café pra ele na prisão.

Algo bem semelhante acontece com Skyler. As pessoas em geral implicam muito com ela, mas me pergunto como elas lidariam convivendo com alguém que mete todo mundo em altas confusões e ainda assim consegue passar como pai do ano e colocá-la sempre como a pessoa má para os parentes, principalmente o filho. 

Acho que ela demorou muito para endoidar de vez. Os únicos momentos que realmente achei sem necessidade de suas ações foi consentir com a situação imposta pelo Walter e cair em fraqueza por Ted. Parecia de certa forma que ela gostava daquilo. Considero isso uma fraqueza.

Gosto de comparar com outros dois personagens, Hank, que teve a carreira abalada quando fica em cadeira de rodas, e que também teve seu começo de estresse. Ele também teria uma explicação para se tornar alguém pior (explicação, não justificativa), e teve seu princípio de chatice e 'quero descontar nos outros', mas passou logo, e mesmo assim, quando descobriu a verdade se manteve firme. Tá errado. Ponto. No argumentação.

Até mesmo o Walter Junior, todo mimado como filho único por tanto tempo, ainda assim teve as virtudes bem firmes em relação a tudo. Durante todo o seriado ele me irritava bastante com seu jeito imperativo de ser (que deve ter puxado do pai), mas depois, revisando, era mais uma imposição enjoadinha de alguém que já tem fixo na cabeça o que é certo e o que é errado. Talvez tenha faltado um senso de hierarquia familiar no modo como transmitia sua opinião em algumas situações, mas algumas acredito que não tem discussão. O pai mata o tio. Ele está errado. Ponto. No argumentação. O molequinho foi firme. Aprecio isso.

Uma coisa interessante pra cena final do Hank é que foi muito parecida com a cena de flash-back de Gus quando perde o companheiro para o cartel, as expressões, os ângulos, tudo bastante parecido.

Outros três personagens que achei bem bacanas foram Marie, Mike e Goodman. De início não fui muito com a cara de Marie, mas com o passar do tempo vi ela sendo uma pessoa muito amorosa e que pensa bastante na vida. Acabei me afeiçoando à ela e torcendo para que seu tratamento solucionasse seu problema. Heauiheaui

Mike é um faxineiro 'fodão' que por pouco não me causou o que Walter causa em todo mundo. Um cara bonzão na sua área, que sabe com o que está lidando, sabe como fazer, tem os contatos, o poder e que ainda cuida da netinha. Talvez tenha sido o olhar misterioso, mas acho que o que gostei dele é que, diferente do Walter, ele assume as coisas que faz. Não há rodeios e desculpas, nem para si mesmo. De qualquer forma é importante lembrar que ele também mata pessoas, que ele também é criminoso, e que acabou com o final de quem segue uma vida assim. Por mais que tenha me deixado com o vazio clássico (igual ao do Hank).


Goodman... Goodman... Esse advogado muito louco que em seu jeito colorido ainda é um dos que soltam as frases mais sinceras e analistas do seriado, também sabe onde está pisando e também sabe se livrar, só demonstra o medo melhor no olhar. Diz a lenda que ganhará um seriado especial só para ele. Quero assistir, no mínimo será engraçado.


Breaking Bad é um seriado muito bom mesmo, cheio de nuances e detalhes que eu poderia ficar aqui demonstrando por páginas. Tentei não me prender no casal Jesse e Walter durante a resenha, mas espero que notem que se pincelando por cima dos outros personagens já deu esse tamanho de post, a série tem muito a dar e que é muito recomendada. =)


2 comentários:

  1. Nossa! Como eu gosto de suas resenhas. Leio o blog sempre que tenho tempo e também achei que Breaking Bad, fosse só mais uma modinha e a ignorei. Quando finalmente comecei a assistir quase deixei de lado porque não via toda essa "fodisse" nos primeiros episódios e foi isso que me fez continuar assistindo. Queria saber o que tinha de tão foda e viciei. Acabou sendo uma das melhores séries que eu assistir. E tenho quase a mesma opinião que você quanto os personagens. No começo eu apoiava o White. O cara tinha sido o bonzinho a vida toda e só se ferrava? Eu também daria um foda-se! Mas depois ele se torna um ser detestável. Aaah como eu queria que o Hank colocasse ele na prisão depois de dar uma boa surra nele! Também não consigo odiar o Pinkman, sinto é pena dele. Ele é usado o tempo todo pelo White... Já o Goodman, acho ele muito foda. Como um advogado consegue ser tão bom quanto ele como profissional?
    Ok, gostei muito do post e espero ver mais posts aqui!

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  2. Muito obrigada, rapaz... Sempre bom termos um feedback. xD

    E deixo um link aqui pra ti: http://www.bettercallsaul.com/

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