terça-feira, 31 de dezembro de 2013

[Resenha] Presença de Anita – Manoel Carlos

Breve confissão: Escrevi essa resenha ao som de Maysa Matarazzo.


Após assistir essa obra televisiva, da época em que a Rede Globo fazia bons trabalhos, procurei quase que imediatamente o livro pra ler. Vou começar essa resenha com uma explicação. Foram poucas as minisséries que assisti, foram poucas as adaptações que gostei... E nesse caso, não poderia ter escolhido montar uma resenha sobre o livro já que o seriado me fascinou muito mais que a obra original de Mario Donato. Manoel Carlos, que escreveu tantas novelas colocando no papel central tantas Helenas, dessa vez resolve mudar a musa, geralmente mais velha, para uma ninfetinha um tanto espevitada.

Li o livro alguns meses depois que terminei o último capítulo da trama. A adaptação não é fiel, como eu esperava. O que me decepcionou foi o livro não ter os elementos e diálogos que assisti, e não o contrário como costuma acontecer. Alguns personagens foram acrescidos, outros foram excluídos, e alguns deles tiveram seus nomes mudados, pequenos novos enredos se encaixaram... E aos poucos a minissérie atingiu com apenas 16 capítulos, o sucesso e a graça dos telespectadores. Maneco, em minha opinião, pegou o melhor da obra e o transformou atualidade, algo mais saboroso ao público alvo.

Anita (Mel Lisboa), Cinthia, Conchita, Lolita todas com um “i” no meio, um “i” que grita, um “i” de maldita segundo Fernando (José Mayer, pegador da Rede Globo) o protagonista da minissérie. 

Mel Lisboa fez um excelente trabalho como Anita. Ouvi muita gente dizendo que ela se comportava como uma “putinha” safada, e eu precisei discordar. Anita era uma jovem apaixonada, talvez não pelo Nando ou por Armando (Paulo César Pereio), mas por romance, por drama, por uma grande e avassaladora paixão, por uma verdadeira novela de amor! Era assim, intensa, inconsequente, sonhadora, ás vezes delirante. Apaixonante. O tipo de pessoa cativante, que tem um brilho único. Nando foi atraído por isso, por essa ideia de pessoa, não pelo estereótipo de ninfeta que Anita representava. A minissérie vai mais a fundo do que um simples caso ilícito de uma jovem menina com um homem mais velho.

Os misticismos em pequena escala integrandos na adaptação também me encantaram. Adorava ouvir as previsões da Anita, as histórias acerca da dançarina Conchita e todo aquele drama envolvendo a Cigana da praça. Essas pequenas aparições do sobrenatural deixavam a história com mais cara de lenda urbana.

Zezinho (Leonardo Miggiorin) e  Lúcia Helena (Helena Ranaldi) foram bons personagens. O desfecho de Lúcia e o momento em que Zezinho perde a virgindade foram os mais altos de ambos em minha opinião. Vale lembrar que não digo que foram os mais bem interpretados. Acredito que ambos os autores tenham feito um bom trabalho no decorrer dos 16 capítulos Um destaque para a passividade de Lúcia no começo, isso ainda existe na mulher contemporânea, eu imagino. Da mesma forma que a inocência de Zezinho aos poucos se perdendo ao observar a deslumbrante vizinha.

Aprendi a ouvir Maysa e tive a curiosidade de pesquisar os álbuns de Jacques Brel depois de ouvir a versão original de Ne Me Quitte Pas. A música é linda, chega a ser poética. Mel Lisboa cantando um trechinho no sexto capítulo também foi inesquecível. Achei um charme uma garota de 19 anos possuir um gosto musical tão maduro. 

Eu recomendo a série para os maiores de 16 anos já que a sociedade estabelece essa faixa-etária como os “semi puros”. Aconselho que leiam a obra também e que compare as duas e que, além disso, conversem comigo sobre ambas.  Não posso dizer que me tornei fã do Maneco ou da Mel Lisboa e companhia... Me tornei fã dessa obra por completo. Pelos elementos expostos acima e pela qualidade de alguns roteiros e produções nacionais.


Um feliz ano novo pra quem se aventurou a ler! ;D

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Identidade Paranormal - Måns Mårlind & Björn Stein

Quando peguei o filme pela metade passando na televisão achei que fosse mais um filme de investigação policial normal que sempre aparece por aí. Sentei, fiquei um tempo, e quando percebi o filme havia me prendido ali até o final. Assisti novamente depois mais duas vezes, sem cansar.

O filme começa com Cara, interpretada por Julianne Moore, em um juri argumentando que não acredita em personalidades múltiplas e apresentando sua teoria sobre isso. Essa cena é utilizada apenas para mostrar sua opinião sobre esse aspecto, pois boa parte do filme é Cara tentando provar que o personagem David, paciente de seu pai Dr. Harding e interpretado por Jonathan Rhys Meyers Rei Henry do The Tudors, não tem esse tipo de distúrbio.

Com o desenrolar das coisas vemos que de fato não é múltipla personalidade que David tem, e sim possessões. Deixar esse tipo de plot twist assim não teria graça suficiente, então realmente têm um fundo de história para que essas possessões ocorram. Aí já entra a briga de igreja, fé, idéias pagãs e essas coisas de filme de medinho.

Medo, medo mesmo, esse filme não me causou nenhum (nem à minha irmãzinha que é o medo em pessoa). Mas é um filme gostoso de ver (que vi 3 vezes na mesma semana sem choramingar) e que eu recomendaria para ver em tempos de folga.

É interessante também ressaltar a interpretação de Jonathan ficou muito legal, já que pra cada possessão é uma personalidade diferente. Detalhe que David é paraplégico, e essa condição é uma sacada enorme para várias cenas do filme.

Cara tem aquele mal de protagonista de histórias de terror: querer fazer tudo sozinha e nos lugares mais escuros que tiverem por perto. E isso deixa algumas coisas clichês, mas é um filme desse gênero, então passa.

Só teve uma cena realmente forçada, que como cientista da computação me fez vibrar com tamanha tecnologia, que foi a descoberta do irmão de Cara utilizando o software de áudio mais desenvolvido do mundo. O pior que a segunda parte da trama acontece toda a partir dessa descoberta. Não vou falar o que é pra não ser spoiler, mas... Cara... Que aplicativo mágico!

De qualquer forma o filme é bom. Não o melhor do ano, mas bom. Fica aqui então a minha recomendação para um filme gostosinho e sem firulas. xD