terça-feira, 25 de junho de 2013

[Resenha] O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

Quando decidi ler O Lado Bom da Vida pensei que leria um romance, cheio de frases de impacto que me motivariam a aproveitar tudo o mais que minha pacata vidinha estaria disposta a me proporcionar. Eu meio que me enganei. Não funciona bem assim! 


Pat Peoples, nosso protagonista, começa a aventura internado em um centro psiquiátrico. Ele está lá há um tempo indefinido, aliás, ele também está lá por motivos indefinidos. Está tão perturbado que se refere a esse local quase sempre durante toda a trama como “lugar ruim”, se refere a conturbada relação de separação entre ele e sua esposa Nikki como “tempo separados”. Isso me incomodou um pouco, não sei bem o motivo. Talvez por deixar a leitura um tanto mais infantil ou fazer do personagem um pouco mais maluco do que parece. Sua mãe o retira desse centro e então começamos a acompanhar um instável Pat tentando se adaptar a tudo e a todos. Variando de momentos de fúria para momentos de descobertas, viciando em exercícios físicos e montando um relacionamento com seu pai em cima de jogos de futebol americano.

Por enquanto os personagens em foco são esses, Pat oscilando humores e comportamentos, sua mãe tentando criar uma ponte entre relacionamento pai-filho, seu pai mal humorado que parece não querer esquecer os erros inteligíveis de seu filho, um psiquiatra chamado Patel (acho esse nome engraçado rs) que em alguns momentos funciona mais como amigo íntimo do protagonista. Nikki a esposa invisível, que agente apenas vê o que é descrito dela da boca dos outros personagens, não sabemos se é uma mulher incrível ou insuportável... 

A relação entre Pat e o seu pai me incomodou bastante durante a leitura. O velho parecia basear sua paciência, seu humor e em alguns momentos até o amor nos jogos dos malditos Eagles de quem ele era torcedor fanático. A relação invisível com Nikki também, o cara fazia exercícios pensando nela, lia os livros que ela lia, era gentil com as pessoas porque pensava que assim que ela gostaria que ele fizesse... Poxa! Mas não julgo tais passagens, acho que ambas foram importantes para o desenvolvimento da trama. 


Eis que surge Tiffany. Em minha opinião ela meio que salvou o livro. Achei uma personagem um tanto diferente. Parecia ser excêntrica de certa forma, em outros momentos apenas parecia ser mais perturbada que os demais personagens. Ela me cativou com seu jeito um tanto doidão-depressivo! A amizade que se forma entre ela e Pat chega a ser engraçada, corridas sem dizer palavras o suficiente, cereais no jantar seguido de discussões feias em público, abraços chorosos e consolação mútua. A partir desse momento aproveitei mais o livro. Tiffany apagou um pouco da birrinha que eu tinha pela Nikki! Isso foi bom, até o momento das cartas e da dança, eu acho... 





Eu peguei esse livro pensando em ler um bom romance, e cheguei à conclusão de que se trata de um livro de comportamento, um livro que aborda pessoas com certo grau de complexidade e confusão psicológica e das relações dessas pessoas com o resto do mundo, gente que precisa passar a enxergar a vida de uma forma diferente, encontrar um lado bom em tudo, ter esperanças... E o ponto forte do livro é que ás vezes aquilo que pensamos ser de fato o plano perfeito para se viver bem e ser feliz, pode sair pelo avesso e mudar completamente seu rumo e sua noção de felicidade. Isso levou o livro pra um final que eu achei extremamente fofo (rs), esse final me cativou tanto que não conseguia desfazer o sorriso bobo que se alojou no meu rosto na última página!


Matthew Quick criou um livro leve e interessante, personagens fortes e engraçados, situações inteligentes, do ambiente cansativo (na minha opinião) de vários capítulos sobre assistir ao futebol americano tanto na TV quanto ao vivo aos dançantes que envolvia ensaios e apresentações (Total Eclipse of the Heart, me fez abrir um sorriso gigantesco rs). Eu poderia falar mais sobre os personagens secundários amigos, sobre o Dr. Patel, sobre o irmão do Pat e toda a noção de tempo que ele perdeu, mas não acho que valeria muito a pena já que se trata apenas da minha opinião sobre o livro. A obra desperta esperança, um certo “ar fresco”, o título Brasileiro fez jus ao conteúdo!

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