terça-feira, 31 de dezembro de 2013

[Resenha] Presença de Anita – Manoel Carlos

Breve confissão: Escrevi essa resenha ao som de Maysa Matarazzo.


Após assistir essa obra televisiva, da época em que a Rede Globo fazia bons trabalhos, procurei quase que imediatamente o livro pra ler. Vou começar essa resenha com uma explicação. Foram poucas as minisséries que assisti, foram poucas as adaptações que gostei... E nesse caso, não poderia ter escolhido montar uma resenha sobre o livro já que o seriado me fascinou muito mais que a obra original de Mario Donato. Manoel Carlos, que escreveu tantas novelas colocando no papel central tantas Helenas, dessa vez resolve mudar a musa, geralmente mais velha, para uma ninfetinha um tanto espevitada.

Li o livro alguns meses depois que terminei o último capítulo da trama. A adaptação não é fiel, como eu esperava. O que me decepcionou foi o livro não ter os elementos e diálogos que assisti, e não o contrário como costuma acontecer. Alguns personagens foram acrescidos, outros foram excluídos, e alguns deles tiveram seus nomes mudados, pequenos novos enredos se encaixaram... E aos poucos a minissérie atingiu com apenas 16 capítulos, o sucesso e a graça dos telespectadores. Maneco, em minha opinião, pegou o melhor da obra e o transformou atualidade, algo mais saboroso ao público alvo.

Anita (Mel Lisboa), Cinthia, Conchita, Lolita todas com um “i” no meio, um “i” que grita, um “i” de maldita segundo Fernando (José Mayer, pegador da Rede Globo) o protagonista da minissérie. 

Mel Lisboa fez um excelente trabalho como Anita. Ouvi muita gente dizendo que ela se comportava como uma “putinha” safada, e eu precisei discordar. Anita era uma jovem apaixonada, talvez não pelo Nando ou por Armando (Paulo César Pereio), mas por romance, por drama, por uma grande e avassaladora paixão, por uma verdadeira novela de amor! Era assim, intensa, inconsequente, sonhadora, ás vezes delirante. Apaixonante. O tipo de pessoa cativante, que tem um brilho único. Nando foi atraído por isso, por essa ideia de pessoa, não pelo estereótipo de ninfeta que Anita representava. A minissérie vai mais a fundo do que um simples caso ilícito de uma jovem menina com um homem mais velho.

Os misticismos em pequena escala integrandos na adaptação também me encantaram. Adorava ouvir as previsões da Anita, as histórias acerca da dançarina Conchita e todo aquele drama envolvendo a Cigana da praça. Essas pequenas aparições do sobrenatural deixavam a história com mais cara de lenda urbana.

Zezinho (Leonardo Miggiorin) e  Lúcia Helena (Helena Ranaldi) foram bons personagens. O desfecho de Lúcia e o momento em que Zezinho perde a virgindade foram os mais altos de ambos em minha opinião. Vale lembrar que não digo que foram os mais bem interpretados. Acredito que ambos os autores tenham feito um bom trabalho no decorrer dos 16 capítulos Um destaque para a passividade de Lúcia no começo, isso ainda existe na mulher contemporânea, eu imagino. Da mesma forma que a inocência de Zezinho aos poucos se perdendo ao observar a deslumbrante vizinha.

Aprendi a ouvir Maysa e tive a curiosidade de pesquisar os álbuns de Jacques Brel depois de ouvir a versão original de Ne Me Quitte Pas. A música é linda, chega a ser poética. Mel Lisboa cantando um trechinho no sexto capítulo também foi inesquecível. Achei um charme uma garota de 19 anos possuir um gosto musical tão maduro. 

Eu recomendo a série para os maiores de 16 anos já que a sociedade estabelece essa faixa-etária como os “semi puros”. Aconselho que leiam a obra também e que compare as duas e que, além disso, conversem comigo sobre ambas.  Não posso dizer que me tornei fã do Maneco ou da Mel Lisboa e companhia... Me tornei fã dessa obra por completo. Pelos elementos expostos acima e pela qualidade de alguns roteiros e produções nacionais.


Um feliz ano novo pra quem se aventurou a ler! ;D

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Identidade Paranormal - Måns Mårlind & Björn Stein

Quando peguei o filme pela metade passando na televisão achei que fosse mais um filme de investigação policial normal que sempre aparece por aí. Sentei, fiquei um tempo, e quando percebi o filme havia me prendido ali até o final. Assisti novamente depois mais duas vezes, sem cansar.

O filme começa com Cara, interpretada por Julianne Moore, em um juri argumentando que não acredita em personalidades múltiplas e apresentando sua teoria sobre isso. Essa cena é utilizada apenas para mostrar sua opinião sobre esse aspecto, pois boa parte do filme é Cara tentando provar que o personagem David, paciente de seu pai Dr. Harding e interpretado por Jonathan Rhys Meyers Rei Henry do The Tudors, não tem esse tipo de distúrbio.

Com o desenrolar das coisas vemos que de fato não é múltipla personalidade que David tem, e sim possessões. Deixar esse tipo de plot twist assim não teria graça suficiente, então realmente têm um fundo de história para que essas possessões ocorram. Aí já entra a briga de igreja, fé, idéias pagãs e essas coisas de filme de medinho.

Medo, medo mesmo, esse filme não me causou nenhum (nem à minha irmãzinha que é o medo em pessoa). Mas é um filme gostoso de ver (que vi 3 vezes na mesma semana sem choramingar) e que eu recomendaria para ver em tempos de folga.

É interessante também ressaltar a interpretação de Jonathan ficou muito legal, já que pra cada possessão é uma personalidade diferente. Detalhe que David é paraplégico, e essa condição é uma sacada enorme para várias cenas do filme.

Cara tem aquele mal de protagonista de histórias de terror: querer fazer tudo sozinha e nos lugares mais escuros que tiverem por perto. E isso deixa algumas coisas clichês, mas é um filme desse gênero, então passa.

Só teve uma cena realmente forçada, que como cientista da computação me fez vibrar com tamanha tecnologia, que foi a descoberta do irmão de Cara utilizando o software de áudio mais desenvolvido do mundo. O pior que a segunda parte da trama acontece toda a partir dessa descoberta. Não vou falar o que é pra não ser spoiler, mas... Cara... Que aplicativo mágico!

De qualquer forma o filme é bom. Não o melhor do ano, mas bom. Fica aqui então a minha recomendação para um filme gostosinho e sem firulas. xD

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

[Resenha] Inferno – Dan Brown

Já fazia algum tempo que não lia Dan Brown.

Adorei o título. Peguei-me desejando que as pessoas me perguntassem que livro eu estava lendo só pra poder encher a boca e dizer: Inferno! Soa “do mal”, né?

Ganhei o livro de presente no dia dos namorados, o que de certa forma foi simbólico já que o autor foi um ponto interessante no início da minha vida como leitor, foi muito legal, eu sei que foi, de alguma forma estranha! Infelizmente não poderia o favoritar, e nem dizer que se trata da obra mais genial do autor. Em minha opinião nenhum (dos livros do Dan) vence de Anjos e Demônios e dificilmente me fará sentir como na época em que o li.

Independente do que eu disse anteriormente, ressalto logo de cara que Inferno não deve ser deixado de ler com desconfiança de supostos clichês e estereótipos. Apesar do autor sempre se manter a regra: O mocinho (Langdon, 4ever), a mocinha deslumbrante que ajuda o mocinho, o assassino pago (dessa vez uma mulher, que eu imagino lésbica) e o chefão do mal com um plano bombástico. Na boa, chega a ser legal querer saber quem tomará esse lugar durante a trama. Ah, e dessa vez os personagens do bem e do mal dão uma boa misturada, o que não acontece em nenhuma das outras três aventuras vividas pelo nosso herói.

O livro me deixou com uma vontade quase que urgente de ler A Divina Comédia, o fato de ler pouco antes da minha apresentação de TCC foi o ponto mágico. Me fez pensar no inferno com uma riqueza descomunal de detalhes! O lance de ficar procurando as obras no google imagens é inevitável, seja qual for a obra que Robert protagoniza.  Queria ter tido eu antes a chance de ler a famosa obra de Dante Alighieri. No caso, deveria ter a mente um pouco mais madura pra entender a complexidade e absorver toda a essência por ele escrita. Eu tenho fé em mim; quem sabe um dia?!

 Houve um certo momento em que acertei, por pura lógica, qual seria o potencial da praga tão temida entre as linhas do Inferno, desacreditei na minha hipótese porque fui desencorajado pelo livro e isso me frustrou um pouco, não sei bem explicar o porque!

 Sienna foi uma ótima mocinha, gostei dela mesmo sob as circunstâncias adversas, inteligente, bonita e com um passado incrível. Gosto da maneira que o autor vai revelando aos poucos sobre seus personagens principais. Ainda prefiro Vittoria Vetra (Anjos e Demônios), entre essas gurias formidáveis, mas Sienna ganhou um lugarzinho no meu coração!


 Os benefícios da Peste Negra foram debatidos de uma forma que só minha professora de história do ensino médio faria. Jogando-nos perguntas intrigantes e desafiando nossa capacidade lógica:


 “— Zobrist questionou o seguinte: Se você pudesse apertar um botão e matar aleatoriamente metade da população da terra, faria isso?
— Claro que não.
— Tudo bem. Mas e se você soubesse que, se não apertasse esse botão agora, daqui a cem anos a raça humana estaria extinta? — Ela passou alguns instantes calada. — Nesse caso, você o apertaria? Mesmo que isso talvez significasse matar amigos, parentes e até a si mesmo?"

 E me fez pensar gostoso nesse momento!


É um prato cheio pra quem curte perseguição, filosofia, obras de arte e Dan Brown! Eu recomendo, claro que sim! Um livro bem escrito e se ler inteiro e conseguir absorver toda a emoção alojada entre as 448 páginas, irá entender porque termino essa resenha dizendo que poderia me perder nesse dia frio, escrevendo pra quem interessar ler, debaixo desse céu negro abarrotado de lindas estrelas.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Fruits Basket – Natsuki Takaya

Escrito e ilustrado por Natsuki Takaya e publicado na revista Hana to Yume entre 1999 e 2006, Fruits Basket conta a história de Tohru Honda, uma menina que perdeu a mãe e para 'não ser um fardo' para os parentes (Tohru tem esse desejo de não incomodar muito forte) passa a morar numa barraca de camping em um terreno escondido, até descobrir que esse terreno é a casa de alguns dos membros da família Sohma.

Shigume Sohma, o mais velho e responsável pela casa, a acolhe dentro da residência em troca de serviços domésticos. Porém, essa família está cheia de maracutaias...

Os Sohmas escondem um segredo muito complexo, são amaldiçoados pelo horóscopo chinês, onde treze membros do bando se transformam em um dos animais do signo quando são abraçados por pessoas do sexo oposto. Quem conhece o horóscopo chinês sabe que são doze os signos que ele representa, o décimo terceiro adicionado na história é o Gato, representado pelo amor da minha vida Kyo Sohma, que tem papel muito importante na história.

É um mangá muito fofinho cativante, cheio de nuances sobre a relação entre as pessoas, como família, amizade, formas de admiração, amor e respeito.

Os personagens de Furuba (palavra que acho particularmente feia que os otakus costumam usar como apelidinho da série) também são bem diversificados. Todos tem suas histórias particulares, e seus modos de agir e pensar são bem próprios. Além disso a maioria traz alguma liçãozinha pra vida e algo para ser uma pessoa melhor.

Eu passaria horas falando de cada um dos personagens desse mangá, mas dessa vez gostaria de fazer algo diferente.

Foi proposto pela blogueira e amiga Vivian de Paulo que os leitores redigissem uma carta para algum personagem literário. Quem quiser ver, o post da Vivi é esse aqui! (Post da Vivi). Eu roubei na brincadeira e pensei em um personagem de mangá. O que não perde o status de literatura, né?! Então segue abaixo meu momento com Tohru Honda.

Itajubá, 01 de agosto de 2013 
Querida Honda-chan,
Queria dizer que já faz um tempo que li sua história, mas que guardo com muito carinho tudo que aprendi contigo. Queria também informá-la que progredi bastante desde a última vez que prometi que ia tentar ser mais como você, que seria mais otimista e mais simpática com todos e que agiria com mais empenho, seja na escola, no trabalho ou no trato com as pessoas. Também queria agradecer àquela lição sobre assumir seus medos, e não simplesmente fingir que eles não existem e negá-los até a morte. Enfrentá-los, mesmo que eles ainda estejam lá.
Talvez eu nunca tenha lhe dito isso diretamente, mas te acho uma fofa. É tanta fofura que te espremeria até seus olhos saltarem para fora... Assim: @.@ 
Confesso que por muito tempo invejei sua relação com seus amigos. Achava muito bonito esse sentimento de troca de cuidados, onde todos se ajudam de forma espontânea e nunca parecem distantes; até que percebi que eu também tinha pessoas muito importantes do meu lado. Mesmo aquelas que estavam longe, ainda estavam aqui. Como sua mamãe está sempre contigo em cada boa memória, né?! 
Bem, já fiz meus milhões de agradecimentos, espero agora que continue essa menina doce e cheia de vida que sempre ajuda seus amigos e inspira seus leitores.
Beijinhos e morangos,
B.Marques.
Ps. Arranjei um cachorro que é a cara do Shigume numa versão branca, você iria adorar.

Pps. Me ajudaria a deixar as roupas tão brancas como as suas? Não sou muito boa nisso não. Tenho a impressão que o alvejante vai rasgar os tecidos a qualquer hora.





terça-feira, 25 de junho de 2013

[Resenha] O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

Quando decidi ler O Lado Bom da Vida pensei que leria um romance, cheio de frases de impacto que me motivariam a aproveitar tudo o mais que minha pacata vidinha estaria disposta a me proporcionar. Eu meio que me enganei. Não funciona bem assim! 


Pat Peoples, nosso protagonista, começa a aventura internado em um centro psiquiátrico. Ele está lá há um tempo indefinido, aliás, ele também está lá por motivos indefinidos. Está tão perturbado que se refere a esse local quase sempre durante toda a trama como “lugar ruim”, se refere a conturbada relação de separação entre ele e sua esposa Nikki como “tempo separados”. Isso me incomodou um pouco, não sei bem o motivo. Talvez por deixar a leitura um tanto mais infantil ou fazer do personagem um pouco mais maluco do que parece. Sua mãe o retira desse centro e então começamos a acompanhar um instável Pat tentando se adaptar a tudo e a todos. Variando de momentos de fúria para momentos de descobertas, viciando em exercícios físicos e montando um relacionamento com seu pai em cima de jogos de futebol americano.

Por enquanto os personagens em foco são esses, Pat oscilando humores e comportamentos, sua mãe tentando criar uma ponte entre relacionamento pai-filho, seu pai mal humorado que parece não querer esquecer os erros inteligíveis de seu filho, um psiquiatra chamado Patel (acho esse nome engraçado rs) que em alguns momentos funciona mais como amigo íntimo do protagonista. Nikki a esposa invisível, que agente apenas vê o que é descrito dela da boca dos outros personagens, não sabemos se é uma mulher incrível ou insuportável... 

A relação entre Pat e o seu pai me incomodou bastante durante a leitura. O velho parecia basear sua paciência, seu humor e em alguns momentos até o amor nos jogos dos malditos Eagles de quem ele era torcedor fanático. A relação invisível com Nikki também, o cara fazia exercícios pensando nela, lia os livros que ela lia, era gentil com as pessoas porque pensava que assim que ela gostaria que ele fizesse... Poxa! Mas não julgo tais passagens, acho que ambas foram importantes para o desenvolvimento da trama. 


Eis que surge Tiffany. Em minha opinião ela meio que salvou o livro. Achei uma personagem um tanto diferente. Parecia ser excêntrica de certa forma, em outros momentos apenas parecia ser mais perturbada que os demais personagens. Ela me cativou com seu jeito um tanto doidão-depressivo! A amizade que se forma entre ela e Pat chega a ser engraçada, corridas sem dizer palavras o suficiente, cereais no jantar seguido de discussões feias em público, abraços chorosos e consolação mútua. A partir desse momento aproveitei mais o livro. Tiffany apagou um pouco da birrinha que eu tinha pela Nikki! Isso foi bom, até o momento das cartas e da dança, eu acho... 





Eu peguei esse livro pensando em ler um bom romance, e cheguei à conclusão de que se trata de um livro de comportamento, um livro que aborda pessoas com certo grau de complexidade e confusão psicológica e das relações dessas pessoas com o resto do mundo, gente que precisa passar a enxergar a vida de uma forma diferente, encontrar um lado bom em tudo, ter esperanças... E o ponto forte do livro é que ás vezes aquilo que pensamos ser de fato o plano perfeito para se viver bem e ser feliz, pode sair pelo avesso e mudar completamente seu rumo e sua noção de felicidade. Isso levou o livro pra um final que eu achei extremamente fofo (rs), esse final me cativou tanto que não conseguia desfazer o sorriso bobo que se alojou no meu rosto na última página!


Matthew Quick criou um livro leve e interessante, personagens fortes e engraçados, situações inteligentes, do ambiente cansativo (na minha opinião) de vários capítulos sobre assistir ao futebol americano tanto na TV quanto ao vivo aos dançantes que envolvia ensaios e apresentações (Total Eclipse of the Heart, me fez abrir um sorriso gigantesco rs). Eu poderia falar mais sobre os personagens secundários amigos, sobre o Dr. Patel, sobre o irmão do Pat e toda a noção de tempo que ele perdeu, mas não acho que valeria muito a pena já que se trata apenas da minha opinião sobre o livro. A obra desperta esperança, um certo “ar fresco”, o título Brasileiro fez jus ao conteúdo!

sábado, 22 de junho de 2013

O Grande Truque - Christopher Nolan (The Prestige - 2006)


Irei ignorar que há quase seis meses levo cobranças sem cessar de Leonardo sobre minha falta de postagens nesse fórum agraciado, e irei fazer minha resenhinha como se nada houvesse acontecido.

O Grande Truque é um filme de 2006, baseado no livro de Christopher Priest, com direção de Christopher Nolan (o cara que faz todo HQ ficar galante) e com atores como Batman, Alfred, Viúva Negra e Wolverine.

A trama corre basicamente em uma Londres Steampunk e gira em volta de uma disputinha de egos entre Alfred Borden (Christian Bale) e Robert Angier (Hugh Jackman), dois ilusionistas que trabalhavam juntos, mas que tem rivalidade iniciada principalmente após um terrível 'acidente' com a esposa de Robert.

A busca por desvendar o verdadeiro truque utilizado pelo outro, a obsessão em ser superior ao outro, a vontade de se vingar do outro, tudo leva uma trama bem bacana e muito envolvente. As lições de morais, os personagens, e os limites de cada um deles é outro ponto muito interessante do filme.

Como as cenas representam a cada momento a visão de diferentes personagens sobre a história, inclusive dos outros além dos dois principais, a noção de quem é o vilão e quem é o mocinho também fica misturada, o que deixa o filme ainda mais cativante. Talvez seja essa troca constante de pontos de vista e falta de linearidade que exigem de quem está assistindo mais atenção, pois é possível se perder facilmente na história se não der atenção à um trecho importante (que podem ser rápidos).

Se você ainda não viu o filme, O Grande Truque está recomendado com vigor pela direção desse blog.


Maaaaaaaaaaaaas, eu queria falar minhas opiniões de verdade. E elas envolvem spoilers... Muitos spoilers.

Aconselho bravamente a só ler abaixo se já viu o filme.
Então você já viu o filme? Logo, vamos especificar uns pontos...

  • A mágica

Quando o engenheiro (Michael Caine) pede pros dois mágicos irem conhecer o 'senhor japonês' e tentar verificar como um verdadeiro ilusionista trabalha eu já curti. Leva a profissão à outro nível. Acho relativamente fácil você encontrar uma profissão porque os pais escolheram, por ter retorno financeiro, por comodidade, ou whatever; mas achar um trabalho que realmente seja sua paixão, a ponto de você se entregar por inteiro aquilo, é muito bonito. Chega a ser fantasioso, mas muito bonito.

Queria achar uma assim, pr'eu me sentir a gênio. Geralmente é dessa galera obcecada pelo que tá fazendo que sai os gênios daquilo. Mas e no caso deles? Foi amor a mágica mesmo? Ou foi só obsessão? Lembrando que chega um ponto que a vingança (o motivo real de tudo aquilo ocorrer) perde totalmente o foco na cabeça do Wolverine, o que vira uma obsessão muito maior um pelo outro (ui), e não pela vingança ou profissão.

  • O clone

Adorei no final do filme quando apareceu o nome do David Bowie. Pois vou confessar que não vi que o Tesla era ele em nenhum momento do filme (Mas reconheci seu assistente, o Smeagol).

Particularmente não gosto da ideia de clones. Tem um filme com o chuasnéguer (O Sexto Dia – 2000 – Schwarzenegger*) em que foi a primeira vez que vi que eu já tinha esse mesmo sentimento.

Pra mim clones são cópias (tanan!) e não substituem o original. Não desvalorizo eles nas ficções, nem nas ovelhas; na verdade na minha cabeça eles são outros seres, com seus direitos próprios, vidas próprias, e tudo o mais. Então quando o Wolverine matou seu primeiro original, pra mim, ele morreu. E tudo que os clones dele e de seus clones fizeram foi bobeira. Vingar a vingança do primeiro. Como clone eu ia sair do outro lado do palco, olhar pro cara se afogando abaixo do palco, limpar a bagunça, ir pra casa e tentar formar uma família... Acho que vocês entenderam.

De qualquer forma, ali no filme, pra continuar filosofando, vou julgar que ele continue o mesmo cara, vai...

E vem aquele momento triste de conflito psicológico do cara sobre quem ele é, e o que quer ser. A cena dele agradecendo o público debaixo do palco, enquanto o sósia recebia a glória lá em cima me deu até um apertinho no peito. O personagem era um cara egocêntrico, mas era genuinamente egocêntrico. Não bastava que as pessoas acreditassem que ele era o autor do truque, ele tinha que sentir os aplausos direcionados pra ele. Um sentimento muito da alma artista. Talvez por isso a sensação de que ele tem que se sacrificar por inteiro e deixar os aplausos pro clone (que como disse, pra mim é outro ser) tenha me deixado bastante triste.

  • A vida dupla
No fim, os dois truques me deixaram deprimida. Quando o japonezinho ensinou que deve-se viver para aquilo que faz, acho que os irmãos Bruce Wayne levaram bem a sério.

Do mesmo modo que pro Wolverine o sacrifício foi pesado, de entregar a sua vida por aquilo, viver uma meia vida também me pareceu muito triste. Não só pra eles, mas pra todos os envolvidos. Acho a Scarlett Johansson uma linda, mas a personagem da Rebecca Hall, Sarah, me fez pensar muito mais. O jeito como ela sempre desconfiava do 'marido', de sofrer como sofreu sabendo que algo estava errado e sem ter prova alguma de que estava certa, o jeito como acabou ficando louca por, no fim, estar com a razão... Tudo nela foi bastante triste.

Ela e todos os personagens que rodeiam os ilusionistas fazem a gente pensar se quando uma pessoa resolve sacrificar sua vida por algo, está também atingindo muitos ao redor. Pessoas que podem estar ali tanto por vontade própria, como pessoas sem opção, como a filha do Batman, que não tem nada a ver com as escolhas que o pai faz.

Seria um egoismo das pessoas não se importarem com esses atingidos externos, como eles não se importavam com a Sarah cada vez mais doente?

Sem contar em como os dois entraram nessa conversa de um fingir que era o outro? "Ow, cara... Que que ce acha de fingir que é eu? Eu topo." Que papo esquisito. XD

  • Alfred, o mordomo engenheiro
Acho que o mais legal dele é o modo como ele se dedica aos dois, mesmo em situações de rivalidade, ele se mantem ali, presente. Ele sempre se apresenta de forma sutil, uma dica, uma sugestão, uma frase bem colocada. Acho isso uma forma muito inteligente de lidar com pessoas tão expansivas.

Mas a frase que mais me prendeu dele foi a final, o comentário sobre a real dor de quando se morre afogado. Aquilo foi pra destruir o Wolverine. Se eu fosse o cara nunca mais entrava numa banheira.


De qualquer forma é um filme excelente, cheio de nuances pra se pensar e tentar usar na vida (ó que lindo! Hueahuieahui). Enfim, acho que todos os comentários que eu tinha foram feitos (ou não, esse trem tava grande bagarai...) Então fico por aqui, espero que não se assustem com o tamanho do post. Beijinhus... :O

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

[Resenha] American Horror Story, Primeira Temporada – Brad Falchuk, Ryan Murphy


O que é preciso pra fazer uma boa história de terror? Uma casa mal assombrada? Um monstro? Espíritos? Mentes doentias e sociopatas?  Personagens complexos e perturbadores?

American Horror Story, criada e produzida por Ryan Murphy e Brad Falchuk, possui uma primeira temporada estranhamente incrível. Conhecemos a pacata família Harmon, que possui seus problemas cotidianos, suas dúvidas, necessidades e tragédias particulares, e uma mansão que adota as mesmas características.

É... Estranho, não? Comparar um imóvel com uma família. Mas que outro lugar viria com uma criatura estranha no sótão, uma ninfeta gótica governanta, e um histórico com mais sangue derramado do que uma vizinhança pacata de Boston tem direito?

Ben, Vivian e Violet enfrentam seus problemas pessoais sem se darem conta da bizarrice do local. Convivem com espíritos sem saber da sua real natureza, criando laços com alguns deles sem saber de suas reais histórias. Histórias que são aos poucos reveladas em cada episódio. Mostrando o caráter de alguns, a injustiça por trás de algumas personalidades, as razões de ações boas e cruéis.

Não poderia deixar passar a minha admiração pela personagem interpretada pela Jéssica Lange, Constance. Achei o personagem mais singular de todo aquele show de horrores, a mulher é forte o suficiente pra estar envolvida em metade dos acontecimentos bizarros daquela casa, ser culpada pela maioria das atrocidades recorrentes e antepassadas, manipular personagens e não os temer e ainda por cima se manter viva o tempo todo.

Claro, houve outras atuações impecáveis, a pequena Violet, por exemplo, acho que foi a adolescente mais convincente que já vi em seriados americanos. Denis O’Hare que deu um show na terceira temporada de True Blood deu outro, interpretou um personagem sem escrúpulos, ridículo e extremamente chato, que me levou a ter nojo em alguns momentos, isso sim é ser um bom ator, penso eu.

Estupro, casal gay, mãe de família grávida, piranha grávida, doutor maluco, filho do mal, enfermeira injustiçada, bebê Frankenstein, crianças carbonizadas, gêmeos pirralhos encapetados, mortes súbitas e látex... São tantas coisas que eu deveria comentar que eu tenho vontade de dar ênfase, mas acho que a resenha se tornaria extremante extensa se assim fosse, então termino por aqui.

 

Vale frisar que se trata de um seriado antológico, ou seja, cada temporada se trata de uma obra independente da outra. Algo parecido com uma minissérie. Afinal de contas, acho que uma história de terror que dura “pra sempre” seria um tanto... Cansativa, não? Gostei disso! Um seriado bom pra quem não tem medo de escuro!


[Nota do autor: A outra escritora do Blog, a Bárbara (ou B. Marques, pros não íntimos rs) nõ terminou de ver essa temporada porque sentiu medo, trágico, não?]