segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sandman Edição Definitiva Vol.1 - Neil Gaiman

     A primeira frase da minha mãe quando me viu chegando com a edição definitiva de Sandman em casa foi "Muita coragem gastar 100R$ em uma história em quadrinhos."  Mas sinceramente? Um dos melhores investimentos literários que fiz esse ano.

    Desde a primeira história (No volume 1 são as primeiras vinte revistinhas da Vertigo) eu já me apaixonei, tanto pelo desenho meio sombrio, aparentemente desorientado, mas que é perfeito pro que quer representar.

    Sandman, ou Morpheus, Oneiros, Lorde Moldador, ou tantos outros nomes é o perpétuo do Sonho, e tem como função organizar o 1% do reino do sonho que pode não funcionar naturalmente sem alguma gerência. Porém, ele é aprisionado por uma seita que buscava invocar sua irmã mais velha, a Morte, mas falha, vindo ele em seu lugar. Mesmo não sendo o perpétuo desejado o líder da seita prende Morpheus, e durante sua estadia de setenta anos, muitas coisas saem dos eixos.

    O HQ tem selo adulto (e por uma boa razão, crianças lindas.) e conta muitas histórias diferentes, que se entrelaçam de um jeito bem interessante, e que, particularmente, me surpreendeu bastante. Li o livro sem nenhum spoiler então fiquei realmente empolgada a cada revelação.

    O mais bacana é a quantidade de questões filosóficas que ele trás, algumas bem sutis, que numa leitura rápida passa sem nem ser notada, outras, jogadas na sua cara de um jeito que não dá pra não refletir nem que por 2 segundos sobre ela.

    A edição brasileira, disponibilizada pela Panine, não tem a capa de couro e o box da americana, mas tá bem feitinha, fica digna na estante também (Hehe). Uma história em quadrinhos altamente recomendada que foge muito do conceito de que quadrinho é coisa de criança.
"Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó." T. S. Eliot – The Waste Land

domingo, 9 de setembro de 2012

[Resenha] A Pele que Habito – Pedro Almodóvar


Robert Ledgard é o Frankstain de Almodóvar nesse filme perturbador. Não consigo encontrar palavra mais adequada. Pode parecer forte e até clichê, mas o diretor conseguiu fazer exatamente o que prometeu, lembro-me de ter lido uma entrevista, não exatamente com essas palavras, disse que faria um filme de terror sem sangue e sem máscaras. Personagens profundos. O protagonista, o tigre, a governanta, a garota... Todos com uma complexidade absurda.

O famoso cirurgião plástico vivido por Antonio Banderas vive assombrado pela morte cruel de sua esposa, carbonizada em um acidente, e para lidar com o fato ele decide dedicar sua vida na criação de uma pele sintética capaz de suportar altas temperaturas, ser quase que invulnerável, mais resistente! Suas pesquisas polêmicas levantam algumas questões sobre ética médica e é apresentada uma garota, Vera (Elena Anaya), que se encontra trancafiada e com quem vive uma relação de amor e ódio com o protagonista. A história da cativa acaba se fundindo com as tragédias da vida de Ledgard e quando as peças do quebra-cabeça começam a se encaixar a palavra perturbador faz todo o sentido.

Um destaque para o elenco, claro. Banderas ficou impecável como o frio e calculista cirurgião, parece até amadurecido nesse filme, exorcizou toda aquela condição de símbolo sexual latino.  Ficando até elegante para um sujeito tão atormentado. Elena Anaya é simplesmente linda. Possui algumas limitações, claro, mas gosto de dizer que ela soube me cativar com sua frágil e doce beleza. A governanta, o tigre, e até o Vicente também tiveram seus altos...

Não acho que seria uma boa dizer mais sobre o enredo da trama, eu gostaria que o espectador tivesse a mesma espécie de reação perante o filme que eu tive. Um misto de nojo e pena, desprezo e repulsa, compaixão e espanto. Cheio de charme, inteligente, abrangente, perverso, sombrio e contraditório em si próprio. Almodóvar inovou, em minha opinião. Deixou-me ansioso em alguns momentos, entediado em alguns... Bizarro e maluco, foi o que eu ouvi antes de assisti-lo, gosto de imaginar que sem elementos como esse o cinema cai em uma rotina. O diretor e roteirista é conhecido por ser amado e odiado por essas mesmas características. E volto a dizer, perturbador. O sentimento é esse, e eu o recomendo.