domingo, 9 de setembro de 2012

[Resenha] A Pele que Habito – Pedro Almodóvar


Robert Ledgard é o Frankstain de Almodóvar nesse filme perturbador. Não consigo encontrar palavra mais adequada. Pode parecer forte e até clichê, mas o diretor conseguiu fazer exatamente o que prometeu, lembro-me de ter lido uma entrevista, não exatamente com essas palavras, disse que faria um filme de terror sem sangue e sem máscaras. Personagens profundos. O protagonista, o tigre, a governanta, a garota... Todos com uma complexidade absurda.

O famoso cirurgião plástico vivido por Antonio Banderas vive assombrado pela morte cruel de sua esposa, carbonizada em um acidente, e para lidar com o fato ele decide dedicar sua vida na criação de uma pele sintética capaz de suportar altas temperaturas, ser quase que invulnerável, mais resistente! Suas pesquisas polêmicas levantam algumas questões sobre ética médica e é apresentada uma garota, Vera (Elena Anaya), que se encontra trancafiada e com quem vive uma relação de amor e ódio com o protagonista. A história da cativa acaba se fundindo com as tragédias da vida de Ledgard e quando as peças do quebra-cabeça começam a se encaixar a palavra perturbador faz todo o sentido.

Um destaque para o elenco, claro. Banderas ficou impecável como o frio e calculista cirurgião, parece até amadurecido nesse filme, exorcizou toda aquela condição de símbolo sexual latino.  Ficando até elegante para um sujeito tão atormentado. Elena Anaya é simplesmente linda. Possui algumas limitações, claro, mas gosto de dizer que ela soube me cativar com sua frágil e doce beleza. A governanta, o tigre, e até o Vicente também tiveram seus altos...

Não acho que seria uma boa dizer mais sobre o enredo da trama, eu gostaria que o espectador tivesse a mesma espécie de reação perante o filme que eu tive. Um misto de nojo e pena, desprezo e repulsa, compaixão e espanto. Cheio de charme, inteligente, abrangente, perverso, sombrio e contraditório em si próprio. Almodóvar inovou, em minha opinião. Deixou-me ansioso em alguns momentos, entediado em alguns... Bizarro e maluco, foi o que eu ouvi antes de assisti-lo, gosto de imaginar que sem elementos como esse o cinema cai em uma rotina. O diretor e roteirista é conhecido por ser amado e odiado por essas mesmas características. E volto a dizer, perturbador. O sentimento é esse, e eu o recomendo.

Um comentário:

  1. Gostei muito deste filme, achei muito interessante a ideia do autor.

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