terça-feira, 17 de julho de 2012

O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde

Esse livro faz parte daqueles clássicos que você já viu na sua livraria favorita, mas que nunca deu lá muita moral (a não ser que já seja um fã dos clássicos) até que algum chegado seu resolveu te dizer que é bom. E de fato, ele é.

Conta a história de um moço da alta sociedade que tem uma beleza apaixonante e que está sendo retratado pelo artista Basil. No momento em que a pintura é finalizada se encontram no ateliê não somente pintor e pintado (Rá!), mas também o Lorde Henry, um homenzinho cínico, sem travas na língua, e que pelo qual o autor do livro expõe as frases que mais nos causam efeito.

É o Lorde Henry quem desperta Dorian para a certeza de que seu rostinho bonito um dia se acabará, assim como sua juventude; e Dorian, desesperado com a nova descoberta, solta que preferiria trocar com o quadro a capacidade dele de nunca envelhecer, sua própria alma. Após uma crise amorosa digna do teatro onde ocorreu, o garoto percebe que suas marcas de culpa realmente vão para sua fisionomia na pintura e não para si mesmo. (Choque)

Apesar de escrito em 1890, existem vários pontos do livro que provavelmente serão usados como referência em todas as épocas. O primeiro visível é a forma como a beleza é valorizada pela sociedade, como influi no egocentrismo das pessoas, no cuidado com a vaidade. Também nos faz pensar em como as amizades têm influência na gente, e como o modo em que a vemos pode mudar.
O livro representa uma geração de jovens, que para uma época tão ligada a reputação, eram considerados decadentes; e foi de grande escândalo em seu lançamento.

Achei de fácil leitura (mesmo com todo o floreio galanteador das palavras do século XIX) e a história corre sem rodeios. Faz muitas críticas, inclusive algumas bem machistas por parte do Senhor Sou Conhecedor Das Mulheres Lorde Henry, sem deixar o único romance do Oscar Wilde ficar pesado. É um livro que eu recomendo, e, para meu próprio agrado, gostaria de deixar uns trechinhos na sequência:
“Para remoçarmos o melhor é recomeçarmos as nossas loucuras.”

“As mulheres nos tratam exatamente como a Humanidade trata seus deuses. Elas nos adoram, mas estão sempre a pedir-nos qualquer coisa.”

“A sociedade ultracivilizada, pelo menos, dificilmente crê ou admite a maldade dos que são ricos e belos.”

“Cada um de nós traz consigo a chave do inferno, Basil.”

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